Dólar atinge R$ 5,226 e registra maior fechamento em quase seis meses

Robson Alves
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A moeda americana avançou 0,83% em meio à aversão ao risco no mercado internacional. A bolsa brasileira caiu pela quarta sessão seguida, pressionada por commodities e juros nos EUA.

Em um dia de turbulências no exterior, o dólar ultrapassou a barreira de R$ 5,20 e encerrou a sessão vendido a R$ 5,226, alta de 0,83% — o maior fechamento em quase seis meses, segundo os registros de mercado. A bolsa recuou pela quarta vez consecutiva, pressionada pelo cenário internacional e pela volatilidade nas commodities.

A valorização da moeda estadunidense acompanhou o fortalecimento do dólar frente a outras divisas de economias emergentes, em um ambiente marcado pela aversão ao risco. No exterior, a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e as incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã contribuíram para reduzir o apetite por ativos mais arriscados.

O índice que mede o desempenho da moeda estadunidense contra uma cesta de seis divisas subiu 0,05%, às 17h04, reflexo do movimento de fuga para moedas consideradas refúgio. O rendimento do Treasury de dez anos terminou o dia em 5,2319%, ante 5,181% na sexta-feira (25).

Principais números

  • Dólar à vista: R$ 5,226 (+0,83%)
  • Ibovespa: 182.991,13 pontos (-0,26%)
  • Petróleo tipo Brent: US$ 97,83 (+0,40%)
  • Petróleo tipo WTI: US$ 92,60 (+0,21%)

No fechamento desta segunda-feira (28), o dólar havia avançado desde o início dos negócios e chegou a superar R$ 5,22 ainda durante a manhã, culminando no patamar de R$ 5,226 ao término do dia. Taxas de juros mais altas em economias avançadas tendem a estimular a saída de capitais de países emergentes, como o Brasil, pressionando as cotações locais.

No panorama doméstico, as atenções também seguiram direcionadas para o calendário eleitoral, com pesquisas divulgadas ao longo do dia sem alterar de forma significativa o cenário de disputa acirrada. Em dados econômicos, o Banco Central informou que o Brasil registrou déficit de US$ 5,055 bilhões em transações correntes em agosto, enquanto o investimento direto no país somou US$ 7,396 bilhões no mês.

Na pesquisa semanal do boletim Focus, a projeção mediana para o dólar no fim deste ano permaneceu em R$ 5,20. A estimativa para a inflação de 2026 subiu de 4,92% para 4,99%, e a previsão para 2027 passou de 4,30% para 4,31%.

O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,26%, aos 182.991,13 pontos, após oscilar entre a mínima de 181.931,36 e a máxima de 184.094,65 pontos. Com o resultado, o principal índice da bolsa brasileira acumulou o quarto pregão consecutivo de baixa, embora mantenha alta de 3,14% em setembro e de 13,57% no ano.

No exterior, a pressão se refletiu em quedas das bolsas em Nova York; o S&P 500 fechou em baixa de 0,77%. No mercado doméstico, a valorização do petróleo ajudou a sustentar ações do setor de energia, enquanto o índice Small Caps, que exclui Petrobras, caiu 1,2% no dia.

O petróleo avançou, mas reduziu parte dos ganhos ao longo do dia diante de informações sobre possíveis avanços nas negociações entre Washington e Teerã e medidas para ampliar a oferta. O barril Brent para dezembro subiu para US$ 97,83 e o WTI alcançou US$ 92,60. A retomada do bombeamento do oleoduto Leste-Oeste pela Arábia Saudita, com fluxo estimado em cerca de 3,5 milhões de barris por dia, e a retomada de carregamentos em Yanbu ajudaram a moderar a alta, mas as restrições à navegação no Estreito de Ormuz e as tensões no Oriente Médio mantiveram o mercado volátil.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.