Gastos com serviços e remessas ampliam rombo externo do Brasil

Robson Alves
3 Min Leitura

Déficit em transações correntes chegou a US$ 5,1 bilhões em agosto. Mesmo com melhora na balança comercial, despesas com serviços e lucros enviados ao exterior pressionaram o resultado.

O déficit em transações correntes do Brasil somou US$ 5,1 bilhões em agosto de 2026, informou nesta segunda-feira (28) o Banco Central. O resultado ficou acima do déficit de US$ 3,8 bilhões registrado em agosto de 2025.

Segundo as estatísticas do setor externo, o aumento do déficit ocorreu apesar da melhora da balança comercial, em razão da ampliação dos gastos líquidos com serviços e das remessas de lucros e dividendos ao exterior.

No acumulado dos 12 meses encerrados em agosto, o déficit em transações correntes alcançou US$ 63 bilhões, o equivalente a 2,47% do PIB.

Balança comercial

  • Superávit: US$ 6,6 bilhões em agosto (ante US$ 5,3 bilhões em agosto de 2025).
  • Exportações de bens: US$ 33,3 bilhões, crescimento de 12,1% na comparação anual.
  • Importações de bens: US$ 26,7 bilhões, alta de 9,4% na comparação anual.

Conta de serviços

  • Déficit de serviços: US$ 5,3 bilhões em agosto, aumento de 28,2% em relação a agosto de 2025.
  • Transporte: despesas líquidas de US$ 1,5 bilhão.
  • Telecomunicações, computação e informações: despesas líquidas de US$ 1,3 bilhão.
  • Aluguel de equipamentos: despesas líquidas de US$ 1,1 bilhão.
  • Propriedade intelectual: despesas líquidas de US$ 1 bilhão.
  • Viagens internacionais: déficit de US$ 1 bilhão.

Renda primária e investimentos

  • Conta de renda primária: déficit de US$ 7 bilhões em agosto (ante US$ 5,4 bilhões um ano antes).
  • Despesas líquidas com lucros e dividendos: US$ 5,9 bilhões.
  • Investimentos diretos no país (IDP): ingresso líquido de US$ 7,4 bilhões em agosto.
  • IDP nos 12 meses: aportes de US$ 86,6 bilhões, equivalentes a 3,39% do PIB.
  • Investimentos em carteira: saída líquida de US$ 5,2 bilhões no mês.
  • Retiradas líquidas em ações e fundos: US$ 6,5 bilhões, parcialmente compensadas por ingressos de US$ 1,3 bilhão em títulos domésticos.

Reservas internacionais

  • Saldo das reservas: US$ 372,6 bilhões em agosto.
  • Aumento mensal: US$ 2,9 bilhões em relação ao mês anterior.
  • Motivos da elevação: valorização de moedas frente ao dólar e receitas de juros das aplicações das reservas.

Revisão anual das estatísticas

  • Déficit em 2025: revisado de US$ 66,7 bilhões para US$ 67,4 bilhões.
  • Déficit acumulado em 2026 (jan-jul): revisado de US$ 36 bilhões para US$ 38,5 bilhões.

Os dados divulgados indicaram movimento simultâneo de melhora da balança de comércio de bens e aumento das obrigações líquidas em serviços e renda primária. A combinação dessas variações conduziu ao aumento do déficit em transações correntes em agosto de 2026, apesar dos fluxos positivos observados em investimento direto no país e no saldo comercial.

Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.