Revolta de 1924: militares tomaram Aracaju e prenderam governador em 3 semanas de guerra

Rafael Ramos
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Há 100 anos, um levante militar sacudiu Sergipe. Jovens oficiais rebeldes dominaram a capital, depuseram o presidente do Estado e instalaram uma junta governativa no poder.

Em 13 de julho de 1924, Aracaju viveu um momento marcante em sua história. Um levante militar transformou a capital sergipana em um verdadeiro cenário de guerra durante três semanas. Naquela data, tropas do Exército se rebelaram, prenderam o então presidente do Estado, Graccho Cardoso, e instalaram uma Junta Governativa liderada por jovens oficiais.

O início da rebelião ocorreu ainda de madrugada, no quartel do Exército, que na época estava localizado na Praça 24 de Outubro, atual General Valadão. Sob o comando do capitão Eurípedes Esteves de Lima e dos tenentes Augusto Maynard Gomes, João Soarino de Mello e Manoel Messias de Mendonça, os rebeldes ordenaram a ocupação de prédios públicos e a prisão de autoridades que resistiam ao movimento, incluindo o comandante do 28º BC, major Jacintho Dias Ribeiro.

A insurreição em Sergipe fez parte do movimento tenentista, que consistia em uma série de revoltas iniciadas em 1922 contra o domínio das oligarquias rurais durante a República Velha, que se estendeu de 1889 a 1930. Em Aracaju, os rebeldes se entrincheiraram na então Praia Formosa, preparando-se para defender suas posições contra possíveis forças legalistas.

Durante 21 dias, a capital sergipana viveu sob tensão e incertezas. Ao final do movimento, tanto os militares quanto os civis envolvidos foram presos e punidos. Apesar da derrota imediata, o tenentismo ganhou força ao longo dos anos, culminando na Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder.

Em reconhecimento ao levante ocorrido em Sergipe, o antigo bairro Praia Formosa teve seu nome alterado para 13 de Julho por meio de um ato municipal publicado em 27 de novembro de 1930. Essa mudança aconteceu um dia após a posse de Augusto Maynard como interventor federal em Sergipe, cargo que ele ocupou até 1935.

Nas décadas seguintes, o bairro passou por profundas transformações. De uma área ribeirinha habitada por pescadores e veranistas, com ruas de areia e casas de palha, tornou-se uma das regiões mais valorizadas da capital. Nos anos 1930, a chegada da energia elétrica e das primeiras vias estruturadas, além do acesso facilitado por bondes, foram marcos importantes na evolução do local.

Outros episódios históricos também marcaram a região, como a chegada em 1942 de sobreviventes dos navios torpedeados por submarinos alemães na costa sergipana durante a Segunda Guerra Mundial. Essa tragédia resultou na morte de cerca de 500 pessoas e contribuiu para a entrada do Brasil no conflito.

Atualmente, o bairro 13 de Julho é considerado um dos principais cartões-postais de Aracaju. Apesar das mudanças urbanas e ambientais ao longo do tempo, a área preserva sua relevância histórica, sendo lembrada não apenas pelo lazer e pela beleza de sua paisagem, mas também pelo papel decisivo que teve em um dos capítulos mais marcantes da história política de Sergipe.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.