O presidente reuniu representantes da sociedade civil para discutir o futuro das apostas online. Governo promete definir nos próximos dias medidas para o setor.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu representantes da sociedade civil nesta terça-feira (1º) no Palácio do Planalto, em Brasília, para ouvir opiniões sobre o mercado de casas de apostas eletrônicas, conhecidas como bets. Segundo Lula, o governo deve tomar uma decisão em breve e ouvir a sociedade civil foi apresentado como etapa importante nesse processo.
“O governo tem discutido como resolver o problema das bets. Eu sugeri ouvirmos o que a sociedade brasileira pensa sobre as bets antes de tomarmos uma solução definitiva. Depois que terminar essa reunião eu vou ainda esta semana, possivelmente, convocar uma reunião para tomar uma decisão”,
Durante o encontro, foram ouvidos apelos pela proibição das bets no Brasil e relatos sobre o impacto das apostas na vida de famílias, na economia e na saúde pública. Um dos relatos detalhou o caso de um pai preocupado com a filha, que ficou em dívida com um agiota após perder dinheiro em apostas eletrônicas. Outro participante descreveu aumento da inadimplência por uso de recursos com apostas, com prejuízo ao comércio local.
Entidades e setores representados
- Entidades de proteção à criança
- Organizações de estudos em saúde
- Representantes do setor do comércio
- Setor econômico
- Setor artístico
Participantes do governo
- Miriam Belchior: ministra da Casa Civil, responsável pela condução da reunião
- Alexandre Padilha: chefe da pasta da Saúde
- Guilherme Boulos: Secretaria-Geral da Presidência da República
- Wellington César Lima e Silva: Justiça e Segurança Pública
- Sidônio Palmeira: Secretaria de Comunicação Social
- Paulo Henrique Cordeiro: Esporte
O presidente ouviu ainda a sugestão de criação de uma secretaria extraordinária voltada ao combate às bets ilegais, proposta que foi apresentada por participantes durante a reunião. A proposta foi mencionada como uma das alternativas para enfrentar a atuação clandestina de plataformas.
Alexandre Padilha trouxe dados sobre atendimentos a pessoas com dependência em apostas no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ele, a oferta inicial era de 600 atendimentos por mês, e o número mensal já passou para 100 mil. Ainda segundo Padilha, 55% do grupo que procura cuidado é formado por mulheres, embora o número absoluto de homens envolvidos com apostas seja maior.
Padilha informou que há uma proposta de resolução em discussão na Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o tema e mencionou que países como Brasil, Espanha e Canadá lideram a iniciativa. Ele também explicou que a plataforma online SUS Digital pode ser usada para solicitar atendimento e iniciar um plano terapêutico contra a dependência em apostas.
“Acho que temos que tomar a decisão mais drástica. A gente tentou regular, tentou proibir. Mas proibir 60 mil bets clandestinas não é fácil. Envolve muita gente, artistas famosos fazendo propaganda. Na Copa do Mundo não estavam transmitindo jogo, estavam fazendo um apelo para o cara jogar”.
O impacto econômico das apostas foi apresentado em números: as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets no ano passado. O montante corresponde ao valor líquido, ou seja, à diferença entre o dinheiro apostado e o devolvido em forma de prêmio. Esse valor equivale a uma média de R$ 4,7 bilhões por mês, considerando o período de outubro de 2024 a março de 2026.
Também foi informado que, no mesmo período, as bets movimentaram quase R$ 351 bilhões em transações via Pix. Esses dados foram utilizados na reunião para dimensionar perdas familiares e impactos setoriais, bem como para embasar debates sobre possíveis medidas regulatórias ou restritivas.
Ao final do encontro, permaneceu a indicação de que o governo deverá avaliar alternativas e tomar uma decisão em breve, levando em conta impactos sociais, econômicos e sanitários relacionados à expansão das apostas eletrônicas.
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