Lucy Domaille, residente em Guernsey, uma ilha britânica, relatou que foi filmada secretamente dentro de sua própria casa e descreveu o episódio como algo que “tomou conta” de sua vida, deixando-a em estado constante de insegurança e sem dormir.
Segundo a vítima, a polícia informou-a em outubro que ela havia sido alvo de voyeurismo. O autor das filmagens foi identificado como Kirk Bishop, um homem de quem Lucy disse ter convivido socialmente por cerca de 25 anos. De acordo com a investigação, Bishop posicionou-se do lado de fora de uma janela, agachado, e gravou Lucy através de uma fresta na cortina enquanto ela saía do chuveiro em sua casa.
Lucy afirmou que o trauma afetou também a dinâmica familiar. Mãe de duas crianças pequenas, ela disse que mudou comportamentos rotineiros, como impedir que os filhos corram nus pela casa, por medo de exposição. “A inocência dos meus filhos foi roubada”, disse ela em entrevista, separando a declaração do corpo do texto.
O contato inicial com a polícia ocorreu quando Lucy estava fazendo compras e o marido ligou para avisar que dois policiais tinham ido até a residência em busca dela. Em seguida, descobriu-se que imagens e vídeos relacionados a Bishop haviam sido localizados em dispositivos apreendidos; uma imagem sua encontrada no material seria um frame extraído de um vídeo que já havia sido compartilhado na delegacia para tentativa de identificação, o que, segundo ela, representou nova violação de sua privacidade.
Bishop, de 40 anos, se declarou culpado em 9 de fevereiro de um total de 20 acusações ligadas a 12 vítimas, referentes a fatos ocorridos entre 2022 e 2025. As acusações incluem invasão de domicílio com intenção de cometer crime sexual, invasão com intenção criminosa, agressão, voyeurismo e posse de drogas. Em alguns casos, ele teria invadido residências e gravado pessoas durante relações sexuais. O réu deve ser sentenciado em 15 de maio.
Lucy também criticou a resposta policial e o tratamento do caso pelo sistema judicial, relatando que recebeu orientação para “se certificar de que as cortinas estejam bem fechadas” e manifestando frustração com a pena máxima prevista em Guernsey para voyeurismo — dois anos de prisão e multa. Ela chegou a afirmar que o acusado poderá cumprir apenas seis semanas de detenção pelo que fez com ela.
Em novembro, o Comitê de Assuntos Internos de Guernsey anunciou que trabalhava em mudanças na legislação de crimes sexuais, incluindo o endurecimento de penas relacionadas ao voyeurismo; as autoridades informaram em fevereiro que planejavam um debate entre março e abril, mas uma carta de política sobre o tema ainda não foi publicada.
Para comparação, a legislação brasileira tipifica como crime a produção, fotografia ou filmagem, por qualquer meio, de cena de nudez ou ato sexual íntimo sem autorização, com pena de seis meses a um ano e multa; se o crime for cometido contra criança ou adolescente, a pena prevista é de reclusão de quatro a oito anos e multa.
Lucy afirmou que perdeu a sensação de segurança que acreditava existir ao viver em uma ilha e relatou que, desde o episódio, tem sido constantemente monitorada por seus próprios medos: “Não consigo mais dormir”, declarou em separado.




