Alta dos juros dos EUA e do petróleo pressionou os ativos brasileiros. O Ibovespa recuou 0,99%, enquanto a moeda americana avançou 0,47%.
Em um dia de maior aversão a risco nos mercados doméstico e internacional, o dólar aproximou-se de R$ 5,20 e o principal índice acionário brasileiro encerrou em queda. A sessão foi marcada por alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, avanço do petróleo e novas projeções econômicas divulgadas por autoridades brasileiras.
Principais números
- Dólar à vista: R$ 5,1931 (+0,47%)
- Ibovespa: 183.965,91 pontos (-0,99%)
- Dólar no mês: alta de 0,26%
- Dólar no ano: queda de 5,39%
- Petróleo tipo Brent: US$ 106,60 (+3,41%)
- Petróleo tipo WTI: US$ 94,61 (+2,65%)
O dólar comercial encerrou esta quinta-feira (24) vendido a R$ 5,193, com alta de 0,47%. A cotação iniciou o dia em R$ 5,16 e chegou a R$ 5,202 na máxima do dia, por volta das 15h. Com o resultado, a moeda passou a acumular alta de 0,26% em setembro, embora ainda registre queda de 5,39% no ano.
A valorização acompanhou o comportamento do dólar no exterior: o índice DXY subiu 0,14%, a 101,270 pontos, por volta das 17h. O movimento ganhou força ao longo da manhã em função da elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA. O Treasury de dez anos chegou a 5,2209% no fim da tarde, contra 5,114% na sessão anterior, mantendo o rendimento acima de 5% ao ano pela primeira vez desde 2007.
Taxas mais altas nos títulos considerados mais seguros estimularam saída de capital de mercados emergentes, pressionando ativos brasileiros. Em resposta, o Banco Central atuou no mercado de câmbio e vendeu US$ 1 bilhão em dois leilões de linha simultâneos. Nessas operações, a autoridade monetária vende dólares com compromisso de recomprar em alguns meses, aumentando a oferta de moeda estrangeira e a liquidez.
Na véspera, o Banco Central havia informado que o fluxo cambial brasileiro estava negativo em US$ 7,078 bilhões em setembro até o dia 18. Mais cedo, o BC também divulgou novas projeções econômicas: a estimativa de crescimento do PIB para 2026 foi reduzida de 2% para 1,8% e a previsão para 2027 ficou em 1,4%.
O Ibovespa encerrou em 183.965,91 pontos, queda de 0,99%, com máxima intradia de 186.211,43 e mínima de 183.834,97 pontos. A queda refletiu a piora do ambiente internacional para ativos de risco e o avanço do petróleo, que intensificou preocupações com inflação. No cenário doméstico, a divulgação de novas projeções para as contas públicas também impactou o mercado: os Ministérios da Fazenda e do Planejamento reduziram a necessidade de contenção de despesas de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões, ao mesmo tempo em que elevaram a previsão de déficit efetivo para 2026 para R$ 80,9 bilhões.
O petróleo acelerou: o barril do tipo Brent subiu 3,41%, a US$ 106,60, enquanto o WTI avançou 2,65%, a US$ 94,61. As altas ocorreram em meio a incertezas sobre negociações entre Estados Unidos e Irã e sobre a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz, fator que manteve pressão sobre os preços e influência nas expectativas inflacionárias globais.
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