Lula leva defesa do diálogo e do direito internacional à ONU

Claudio Vasconcelos
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Presidente brasileiro discursa às 10h, em Nova York, na abertura da Assembleia Geral. Brasil será o primeiro país a falar, mantendo tradição iniciada em 1955.

O presidente Lula abre nesta terça-feira, às 10h no horário de Brasília, a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em Nova York. Desde 1955, o Brasil ocupa a posição de primeiro a falar no encontro, tradição que será mantida nesta sessão.

Durante o discurso de abertura, Lula deve ressaltar a importância do multilateralismo para enfrentar conflitos internacionais, defender a negociação como caminho para a solução de disputas, o respeito ao direito internacional humanitário e a não interferência em assuntos internos de outros países. O presidente também deve reforçar a visão do Brasil sobre a reforma das Nações Unidas, inclusive a expansão do Conselho de Segurança.

“restaurar a confiança, gerir a transformação”

O debate de líderes deste ano tem como tema “restaurar a confiança, gerir a transformação”. A semana de alto nível reunirá representantes dos 193 Estados-membros da ONU e vai até o dia 28.

Agenda do presidente em Nova York (22/09/2026)

  • 09h40: encontro bilateral com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

 

  • 10h: discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU.

 

  • Tarde (por volta das 15h): decolagem do avião presidencial em direção ao Brasil.

 

  • Estimativa de chegada: presidente deve chegar a Brasília um pouco antes da meia-noite.

 

Pouco antes do discurso de abertura, o encontro bilateral com António Guterres está previsto para ocorrer por volta das 9h40. Esta será a última vez que Guterres participa de uma semana de alto nível, já que seu segundo mandato termina este ano.

Não há confirmação ainda se Lula falará com a imprensa após abrir a Assembleia.

Contexto das relações com os Estados Unidos

  • Posição nos discursos: Trump será o segundo a discursar, o que pode levar a encontros nos bastidores do plenário.

 

  • Contato anterior: no ano passado, os dois tiveram um breve contato quando Trump disse que havia acontecido uma “química excelente” entre eles.

 

  • Desdobramentos diplomáticos: a Agência Brasileira de Inteligência apontou risco de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras; a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes continuou vigente; foram cancelados vistos de outros ministros; o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou facções criminosas brasileiras como terroristas; e os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington.

 

  • Medidas comerciais: em julho, os Estados Unidos anunciaram tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, alegando práticas comerciais desleais, além de tarifas de 12,5% aplicadas a dezenas de nações, incluindo o Brasil, associadas a alegações sobre falta de fiscalização de trabalho forçado.

 

Em entrevista a uma emissora norte-americana nesta segunda-feira, Lula disse que o governo brasileiro não pretende aplicar a lei de reciprocidade contra os Estados Unidos em relação às tarifas impostas por Washington enquanto as negociações prosseguirem.

Além de duas conversas presenciais, os dois presidentes já conversaram por telefone ao menos quatro vezes. A última comunicação por telefone ocorreu em agosto, quando Lula afirmou que as negociações eram a melhor maneira de resolver a disputa. Em junho, na França, os dois também se cruzaram nos bastidores da Cúpula do G7 e apenas se cumprimentaram.

O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e parte da delegação brasileira continuam em Nova York representando o Brasil no debate geral que vai até o dia 28.

“química excelente”

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.