IA do Google corta tráfego e pressiona jornalismo brasileiro

Claudio Vasconcelos
4 Min Leitura

Os resumos automáticos nas buscas reduzem o acesso direto a sites de notícias. Especialistas alertam para perdas de receita, desinformação e cobram regras para proteger o jornalismo.

O avanço da Inteligência Artificial (IA) tem gerado impactos significativos no jornalismo profissional no Brasil. Através de resumos oferecidos por buscadores na internet, o tráfego direto de internautas em sites jornalísticos tem diminuído, o que afeta diretamente o financiamento desse setor.

A partir de maio de 2024, com a introdução do AI Overviews do Google, que disponibiliza resumos gerados por IA em português, essa tendência se intensificou. Especialistas alertam que essa situação pode prejudicar a integridade da informação, especialmente em um contexto já fragilizado pela disseminação de fake news.

No cenário atual, um projeto de lei, conhecido como Marco Regulatório da IA (PL 2338 de 2023), tramita na Câmara dos Deputados. Este projeto tem como objetivo exigir que plataformas digitais paguem pelos direitos autorais das obras e reportagens utilizadas pela IA. A aprovação dessa legislação poderia fortalecer o jornalismo profissional, que enfrenta uma crise acentuada.

Apesar da relevância do tema, o avanço do projeto tem sido lento. O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, havia anunciado a prioridade do PL, mas até o momento, não houve progresso substancial.

Carla Egydio, diretora de Relações Institucionais da Ajor, expressou preocupação com a queda de audiência dos portais de notícias devido aos resumos gerados por IA. Segundo a Ajor, um em cada quatro portais perdeu mais de 20% de audiência em 2025.

O ecossistema jornalístico enfrenta uma crise, pois muitos veículos dependem da publicidade, que agora se desloca para plataformas digitais. A diretora da Ajor ressaltou que essa situação torna desafiador o financiamento das empresas jornalísticas.

Além disso, os resumos gerados por IA não refletem o conteúdo completo das reportagens, o que pode levar a descontextualizações e à perda de qualidade da informação. Em um caso notável, o veículo Business Insider demitiu 21% de sua equipe em maio de 2025, em resposta à queda no tráfego de usuários devido a essas ferramentas.

A presidenta da Fenaj, Samira de Castro, destacou que o lobby das grandes empresas de tecnologia tem dificultado o avanço do PL 2338, que visa garantir a remuneração pelo uso de conteúdos protegidos.

Ainda assim, Samira acredita que o projeto traz avanços importantes, mesmo que não aborde a transparência sobre quais conteúdos foram usados para treinar modelos de IA.

A pressão para a aprovação do Marco Regulatório da IA é intensa, mas a definição de uma data para votação depende da apresentação do parecer do relator, deputado Aguinaldo Ribeiro, que defende um debate mais aprofundado sobre a remuneração dos conteúdos.

O futuro do jornalismo profissional no Brasil parece incerto, à medida que as tecnologias de IA continuam a evoluir e a moldar a forma como as informações são consumidas e distribuídas.

Compartilhe essa Notícia
Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.