Rio de Janeiro – A Fundação do Câncer divulgou nesta quinta-feira (8) a versão 2026 do Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero, documento que orienta profissionais de saúde na substituição gradativa do exame Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV na rede pública.
Transição do método de rastreamento
O novo guia incorpora as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, aprovadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). As recomendações preveem que, à medida que o teste molecular seja implementado, o Papanicolau continuará sendo usado apenas nos locais onde o novo exame ainda não estiver disponível.
Segundo a consultora médica da fundação, Flávia Miranda Corrêa, o Ministério da Saúde iniciou em setembro do ano passado a implantação dos testes de DNA-HPV em municípios de 12 estados, processo que avança gradualmente e já envolve conversas com outras 12 unidades da federação.
Alcance e periodicidade
O grupo-alvo para o rastreamento permanece o mesmo: mulheres de 25 a 64 anos. Enquanto a citologia exigia dois resultados negativos anuais seguidos de repetições a cada três anos, o teste molecular — considerado mais sensível — permite ampliar o intervalo para cinco anos quando o resultado é negativo.
Condutas em caso de resultado positivo
Mulheres com detecção dos tipos 16 ou 18 do HPV, responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo do útero, serão encaminhadas diretamente à colposcopia. Para outros dez tipos oncogênicos, é realizada citologia reflexa no mesmo material; havendo alteração, a paciente também segue para colposcopia. Caso a citologia seja normal, o teste de HPV deve ser repetido em um ano.
Vacinação e metas da OMS
O Brasil aderiu à Estratégia Global da Organização Mundial da Saúde que estabelece, até 2030, vacinar 90% das meninas de até 15 anos, rastrear 70% das mulheres com teste molecular e tratar 90% das lesões detectadas. Disponível no SUS desde 2014, a vacina quadrivalente é aplicada em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos e permanece oferecida a grupos prioritários, como pessoas com HIV/Aids, transplantados, pacientes oncológicos, vítimas de violência sexual (9 a 45 anos) e usuários de PrEP.
A campanha nacional de resgate vacinal, iniciada no fim de 2025 e prevista até o primeiro semestre de 2026, busca imunizar adolescentes de 15 a 19 anos que ainda não receberam a dose contra o HPV.
Pilares da prevenção
O diretor executivo da fundação, Luiz Augusto Maltoni, ressalta que o novo exame detecta a infecção pelo HPV antes do aparecimento de alterações celulares, aumentando a eficácia do rastreamento. Para completar a estratégia, ele destaca a importância do tratamento oportuno de lesões precursoras e do acesso rápido à terapia oncológica nos casos já avançados.
O guia completo pode ser consultado no site da Fundação do Câncer.
Fonte: Agência Brasil
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