Diesel fica mais caro amanhã: governo corta subsídio de R$ 0,35 por litro

Robson Alves
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A partir de 1º de julho, o subsídio ao diesel acaba e o preço deve subir nos postos. O ministro Durigan confirmou a medida após queda no petróleo.

A queda recente no preço do petróleo levou o governo federal a anunciar o início da retirada gradual dos subsídios que foram criados para conter a alta dos combustíveis. Essa medida foi divulgada nesta terça-feira, 30 de junho de 2026, e a primeira ação será o fim da subvenção de R$ 0,35 por litro do diesel, que deixará de valer a partir de amanhã, 1º de julho.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que a decisão foi possível devido à recuperação dos preços internacionais do petróleo, que voltaram a patamares próximos aos verificados antes da crise no Oriente Médio. Isso diminui a necessidade de manter as medidas emergenciais que foram adotadas anteriormente.

“Estamos tirando a subvenção de R$ 0,35 por litro do diesel a partir de amanhã e não vamos parar por aqui. Estamos em avaliação da outra subvenção do diesel, que é R$ 1,12, e, em especial, também da gasolina, de R$ 0,44”, afirmou Durigan.

Atualmente, a única subvenção que será encerrada neste primeiro momento é a de R$ 0,35 por litro do diesel. Os demais subsídios ainda estão em vigor, mas estão passando por uma avaliação detalhada por parte do governo.

Os subsídios que continuam valendo incluem:

– Subvenção de R$ 1,12 por litro do diesel;

– Subvenção de R$ 0,44 por litro da gasolina;

– Subsídio ao gás de cozinha (GLP);

– Desoneração de tributos federais sobre o biodiesel;

– Desoneração de tributos sobre o querosene de aviação.

Essas medidas foram implementadas para evitar que a alta internacional do petróleo resultasse em aumentos significativos nos preços para os consumidores brasileiros.

A decisão de retirar os subsídios foi tomada em um contexto de redução das tensões no Oriente Médio, especialmente após o acordo parcial de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Isso possibilitou que o barril do petróleo tipo Brent fosse negociado em torno de US$ 70, um nível semelhante ao que se observava antes do início do conflito.

Além da queda no preço do petróleo, o governo ressalta que a retirada gradual dos subsídios também tem como objetivo preservar a saúde fiscal do país. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, destacou que essa decisão está alinhada ao compromisso com a meta fiscal de 2026.

“Mantida essa premissa da neutralidade fiscal, vamos retirando as subvenções, de modo que a nossa meta de resultado primário seja cumprida, sem nenhuma mudança”, declarou Moretti.

Com a redução do preço do petróleo, a arrecadação extraordinária obtida pelo governo com royalties e tributos relacionados à produção e exportação da commodity também caiu, o que reforça a necessidade de reavaliação dos subsídios.

Os subsídios aos combustíveis começaram em março de 2026, em resposta ao aumento dos preços internacionais do petróleo devido ao conflito no Oriente Médio. O governo, na época, adotou outras medidas para mitigar o impacto sobre os consumidores e empresas, como isenções tributárias e linhas de crédito para empresas aéreas.

A expectativa é que, se os preços do petróleo se mantiverem estáveis, os incentivos ao diesel e à gasolina sejam reduzidos gradualmente nas próximas semanas.

Artur Watt Neto, presidente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), afirmou que a retirada dos subsídios foi planejada para ocorrer sem causar impacto significativo nos preços dos combustíveis ao consumidor final.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.