O Banco Central oficializou hoje a duplicata escritural, versão 100% digital do título tradicional. A mudança promete desburocratizar o crédito empresarial com adoção gradual até 2028.
O mercado de crédito para empresas brasileiras passará por uma transformação significativa com a introdução da duplicata escritural, lançada oficialmente hoje, 30 de junho de 2026, pelo Banco Central (BC).
Esta nova ferramenta, que está em fase de testes e terá adoção gradual até junho de 2028, representa uma versão totalmente digital da duplicata tradicional, utilizada em vendas a prazo entre pessoas jurídicas.
O novo modelo permite que todo o ciclo do título, desde a sua emissão até o pagamento, negociação ou utilização como garantia, seja registrado eletronicamente em sistemas autorizados pelo Banco Central.
A iniciativa tem como objetivo tornar as operações mais seguras, reduzir fraudes e facilitar o acesso ao crédito, especialmente para pequenas e médias empresas (PMEs).
A duplicata é um documento que representa uma dívida de uma empresa compradora com outra empresa vendedora. Ela é comumente utilizada por negócios que vendem produtos ou serviços com pagamento a prazo.
Antes da digitalização, muitas dessas operações dependiam de documentos físicos, registros separados e processos manuais, o que aumentava o risco de problemas como informações desencontradas, duplicidade de recebíveis e dificuldades para comprovar a existência do crédito.
Com a duplicata escritural, os dados passam a ser registrados em um ambiente eletrônico, permitindo um acompanhamento completo do histórico do título.
Na prática, o sistema oferece:
- Mais transparência nas operações
- Rastreamento dos recebíveis
- Redução de fraudes
- Maior segurança para bancos e empresas
- Processos mais rápidos e organizados
Para as pequenas e médias empresas, essa mudança pode melhorar as condições de acesso a financiamentos. Ao apresentar recebíveis registrados digitalmente, essas empresas podem ter mais facilidade para antecipar valores que receberiam futuramente ou oferecer esses créditos como garantia em operações financeiras.
O novo sistema também deve auxiliar as instituições financeiras na avaliação de riscos, permitindo uma análise mais precisa da origem e validade dos recebíveis.
Alguns números importantes incluem:
- R$ 11 trilhões: tamanho estimado do mercado envolvido nas operações
- 2 milhões: número estimado de empresas emissoras de duplicatas
- 18 mil: grandes empresas consideradas sacadoras
A adoção do novo sistema será feita em etapas. Antes da obrigatoriedade, haverá uma fase de testes para validar o funcionamento do ecossistema digital.
O cronograma de implementação prevê:
- Empresas de grande porte: adesão obrigatória a partir de junho de 2027
- Empresas médias: até dezembro de 2027
- Pequenas empresas: a partir de junho de 2028
Com o novo modelo, o Banco Central acredita que problemas comuns no mercado de recebíveis, como a negociação do mesmo crédito mais de uma vez ou a dificuldade em verificar a existência de uma dívida, serão minimizados.
Com o registro digital, bancos, fundos e empresas poderão consultar informações sobre a situação de cada duplicata. Contudo, especialistas ressaltam que a tecnologia não eliminará todos os riscos. As empresas ainda precisarão manter controles internos, documentos fiscais corretos e uma boa organização financeira.
A mudança exigirá uma integração entre as áreas financeiras, fiscais, comerciais e jurídicas das empresas, garantindo que notas fiscais, pagamentos, contratos e registros digitais estejam alinhados.
A duplicata escritural representa um avanço na digitalização do crédito brasileiro e pode ampliar a concorrência entre financiadores, tornando o mercado mais transparente e acessível para empresas de diferentes portes.
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