O Centro de Hemodinâmica Dr. José Augusto Soares Barreto, no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), realizou pela primeira vez na rede hospitalar pública estadual um procedimento endovascular avançado para tratar trombose venosa profunda (TVP) associada à síndrome de Cockett. A técnica minimamente invasiva foi empregada em um caso de TVP extensa e aguda no membro inferior esquerdo, ampliando a oferta de assistência vascular na unidade.
Após a confirmação diagnóstica por exames de imagem, a equipe médica realizou trombectomia venosa mecânica percutânea seguida de angioplastia e implante de stent autoexpansível na veia ilíaca esquerda para corrigir a compressão característica da síndrome de Cockett, explicou o cirurgião vascular João Chaves.
“A abordagem endovascular permite a remoção ativa do trombo, seguida de angioplastia e implante de stent autoexpansível na veia ilíaca esquerda para corrigir definitivamente a compressão da síndrome de Cockett”, declarou João Chaves.
O médico detalhou ainda que a síndrome de Cockett ocorre quando a artéria ilíaca comum direita comprime a veia ilíaca comum esquerda contra a coluna vertebral. Embora seja relativamente frequente, a condição pode tornar-se grave quando evolui para trombose extensa. Segundo ele, o tratamento endovascular realizado na fase aguda possibilita restabelecer o fluxo venoso, preservar a função das válvulas venosas e reduzir o risco de sequelas crônicas.
João Chaves ressaltou a importância do tempo no manejo da doença: “Existe, realmente, uma janela de tempo ideal. O procedimento endovascular deve ser realizado preferencialmente dentro dos primeiros 14 dias do início dos sintomas. Com o passar do tempo, o trombo se torna fibroso, aderente à parede venosa e rico em colágeno, o que dificulta a remoção completa e reduz a eficácia do tratamento”.
O cirurgião afirmou que esse é o primeiro caso realizado na hemodinâmica do Huse e que a técnica evita cirurgias abertas de grande porte, diminui o risco de sangramento, reduz o tempo de internação e oferece resultados superiores à anticoagulação isolada ou à trombólise clássica.
Atendimento humanizado
A aposentada Terezinha Francisca de Souza, moradora de Heliópolis (BA), foi a primeira paciente submetida ao procedimento no Huse. Ela relatou que os sintomas surgiram de forma súbita e intensa, com dor intensa na perna, e que foi encaminhada a partir do atendimento em sua cidade até o Huse.
“Deu tudo certo, graças a Deus. Gostei bastante da assistência, melhor impossível. Todos são excelentes profissionais. Não tenho nada a reclamar. Agora, quero voltar para casa e cuidar dos meus netos. Estou muito feliz”, disse Terezinha.
A acompanhante Isabela Silva elogiou a estrutura e o atendimento da unidade: “Fiquei muito surpresa com tudo aqui, desde o atendimento, a limpeza e toda a organização. Os profissionais são muito educados. Está todo mundo de parabéns”.
Assistência vascular
Em 10 meses de funcionamento, o Centro de Hemodinâmica do Huse ampliou a capacidade de tratar casos vasculares complexos. Segundo João Chaves, o serviço integrado à Cirurgia Vascular permite oferecer procedimentos minimamente invasivos com rapidez e alta taxa de sucesso dentro do Sistema Único de Saúde, alcançando resultados antes restritos a centros privados de referência.
Fotos: Felipe Goettenauer
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