Capacitação de médicos generalistas reduziria tempo até o diagnóstico, afirma Sociedade Brasileira de Reumatologia

Claudio Vasconcelos
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A experiência da artesã Regiane Araújo Pacheco, 40 anos, ilustra as dificuldades enfrentadas por quem busca diagnóstico para doenças reumáticas no Brasil. Moradora de Ipupiara, no interior da Bahia, ela sofreu dores nos joelhos e quadril desde a infância. Somente aos 15 anos, depois de percorrer centenas de quilômetros até São Paulo, recebeu o primeiro diagnóstico: artrite reumatoide infantil. Já em 2008, após consultas em Vitória da Conquista (BA), confirmou também a presença de lúpus, doença que trata até hoje.

Esse percurso, conhecido como “jornada do paciente”, pode ser encurtado com a qualificação dos profissionais da atenção básica, avalia o presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), José Eduardo Martinez. “Antes de chegar ao especialista, o paciente passa por vários médicos que nem sempre suspeitam da doença. É fundamental reduzir esse caminho”, afirmou durante o 10º Encontro Nacional de Pacientes, realizado em Salvador.

Programa federal busca mais especialistas

Para diminuir a fila de cirurgias, exames e consultas no Sistema Único de Saúde (SUS), o governo lançou o Programa Agora Tem Especialistas, que amplia a oferta de serviços de média e alta complexidade em oncologia, ortopedia, ginecologia, cardiologia, oftalmologia e otorrinolaringologia. A medida provisória que cria o programa foi aprovada na quarta-feira (24) pela Câmara dos Deputados, com 403 votos favoráveis, e de forma unânime pelo Senado. O texto segue para sanção presidencial.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, considerou a aprovação “histórica”. Segundo ele, a iniciativa aproxima o governo federal de estados e municípios e envia profissionais para regiões sem especialistas. “Queremos desconcentrar esse atendimento”, disse, na quinta-feira (25), em São Paulo.

Atenção básica como ponto-chave

Apesar de elogiar o programa, Martinez defende reforço na formação dos generalistas para agilizar o diagnóstico de doenças reumáticas. Ele citou o caso de pacientes que viajam de Itararé (SP), a 243 km de Sorocaba, para consultas. “Se o médico local seguisse as diretrizes do SUS, usando contrarreferência e tecnologia, o retorno poderia ocorrer ali mesmo”, argumentou.

O reumatologista Valderilio Azevedo, membro da Comissão de Biotecnologia da SBR, concorda. “Muitas doenças podem ser identificadas precocemente na atenção básica, evitando a ida desnecessária ao especialista”, afirmou. Já a diretora científica da entidade, Licia Maria Henrique da Mota, apontou falhas no referenciamento e contrarreferenciamento de pacientes. “Se o caso está controlado, não há necessidade de retorno frequente a unidades terciárias”, disse.

Mais recursos para a Atenção Primária

Em nota, o Ministério da Saúde informou que o orçamento da Atenção Primária à Saúde (APS) subiu de R$ 35,3 bilhões, em 2022, para R$ 54,1 bilhões, em 2024 — aumento superior a 50%. A cobertura da APS atinge cerca de 70% da população, com equipes em Unidades Básicas de Saúde, Saúde da Família Ribeirinhas, Consultório na Rua e Atenção Primária Prisional. O ministério destaca que protocolos de qualificação profissional vêm sendo incorporados para reduzir o tempo de espera até a atenção especializada.

Regiane Araújo Pacheco continua seu tratamento para lúpus e artrite reumatoide, mas espera que futuras gerações enfrentem trajetos menos longos até o diagnóstico. A SBR sustenta que a chave para isso está na porta de entrada do SUS: uma atenção básica mais preparada para reconhecer e orientar casos complexos.

Fonte: Agência Brasil

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.