O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, dirigiu-se por videoconferência à 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas nesta quinta-feira (25), depois de ter o visto de entrada nos Estados Unidos negado pelo governo Donald Trump. No discurso, pediu a adoção de medidas internacionais para interromper o que classificou como genocídio na Faixa de Gaza, conter a expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia e viabilizar um Estado palestino com Jerusalém Oriental como capital.
Abbas apresentou oito ações consideradas essenciais para a paz:
1) cessar-fogo imediato e permanente em Gaza;
2) entrada irrestrita de ajuda humanitária, incluindo apoio da UNRWA, e proibição do uso da fome como arma;
3) libertação de todos os reféns e prisioneiros de ambos os lados;
4) retirada total das forças israelenses de Gaza, rejeição de deslocamentos forçados e fim de assentamentos e apropriação de terras;
5) transferência gradual da administração de Gaza para a ANP, conectando o enclave à Cisjordânia;
6) permanência dos moradores de Gaza em seu território e plano de reconstrução para Gaza e Cisjordânia;
7) liberação das receitas de impostos palestinos retidas por Israel e suspensão do bloqueio econômico;
8) apoio a reformas na ANP e realização de eleições gerais até um ano após o término da guerra.
O líder palestino informou que uma comissão já trabalha na redação de uma constituição provisória, cuja conclusão está prevista para três meses, a fim de transformar a ANP em Estado. Ele reiterou o compromisso com um país “moderno e democrático”, respeito ao direito internacional e maior participação de mulheres e jovens.
Cobranças a Israel e críticas ao Hamas
Abbas acusou Israel de manter “planos expansionistas” que, segundo ele, inviabilizam a solução de dois Estados. Classificou as ações militares em Gaza como “crime de guerra e contra a humanidade” e lembrou que diversos organismos e especialistas já apontam a ofensiva como genocídio.
O presidente palestino também condenou o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, afirmando que o episódio “não representa o povo palestino” e defendendo que o grupo entregue suas armas à ANP. Ele se disse disposto a cooperar com os Estados Unidos “em qualquer momento” para alcançar a paz.
Contexto regional
O governo israelense, que reivindica Jerusalém inteira como capital, já declarou que não admitirá a criação de um Estado palestino e continua aprovando novos assentamentos na Cisjordânia. Apenas no mês passado, Tel Aviv liberou construções em áreas que isolam Jerusalém Oriental dos territórios palestinos.
Do outro lado, 149 dos quase 190 Estados-membros da ONU passaram a reconhecer oficialmente a Palestina, movimento reforçado recentemente por países como Reino Unido, Austrália, França, Canadá e Espanha.
Instituída após os Acordos de Oslo na década de 1990, a ANP governa cerca de 18% da Cisjordânia. Gaza, controlada pelo Hamas desde 2006, permanece sob bloqueio israelense e vive escalada de violência desde 2023.
Ao encerrar a fala, Mahmoud Abbas ressaltou que a Faixa de Gaza é parte inseparável do futuro Estado palestino e reforçou a disposição de assumir “plena responsabilidade” pela segurança e administração do território após o fim do conflito.
Fonte: Agência Brasil
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