Vírus sincicial representa risco também para idosos, indicam especialistas

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Especialistas alertam que o vírus sincicial respiratório (VSR), além de afetar bebês, representa risco significativo para idosos e pessoas com comorbidades. No primeiro trimestre de 2026, segundo dados do Ministério da Saúde, o VSR foi responsável por 18% dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) com identificação viral confirmada.

O Boletim Infogripe, da Fiocruz, aponta que entre fevereiro e março o VSR respondeu por 14% das síndromes respiratórias com vírus identificados, proporção que subiu para 19,9% no período de março a abril. Em 2025, o vírus foi o mais prevalente por 23 semanas consecutivas, de março a agosto.

Dados de laboratórios privados também mostram aumento: na semana encerrada em 4 de abril de 2026, 38% dos testes positivos para vírus detectaram VSR — taxa 12 pontos percentuais superior à observada na primeira semana de março, segundo levantamento do Instituto Todos pela Saúde.

Dados subestimados

Para a pneumologista e professora da UFSC Rosemeri Maurici, esses números não revelam a dimensão completa do problema, porque a testagem para VSR só passou a ser rotineira em maior escala após a pandemia de covid-19. Ela ressalta que muitos pacientes internados com SRAG não chegam a ter o agente etiológico identificado, seja por ausência de teste ou por coleta fora da janela em que o vírus é detectável.

No primeiro trimestre de 2026 foram registrados cerca de 27.600 casos de SRAG; em apenas 9.079 desses casos o vírus foi identificado, e quase 17% dos registros sequer contaram com teste laboratorial.

Entre 1.651 casos graves de VSR notificados entre janeiro e março, 1.342 ocorreram em crianças menores de dois anos. Em contrapartida, apenas 46 casos graves foram confirmados em pessoas com mais de 50 anos — diferença que, segundo especialistas, é influenciada pela menor duração da carga viral em adultos, o que dificulta o diagnóstico.

Comorbidades

Os óbitos atribuídos ao VSR neste ano somam 27: 17 em bebês de até dois anos e sete em idosos com 65 anos ou mais. A geriatra Maisa Kairalla destaca que o envelhecimento do organismo, associado a doenças crônicas adquiridas ao longo da vida, aumenta a vulnerabilidade desse grupo.

O cardiologista Múcio Tavares, professor da Faculdade de Medicina da USP, lembrou que mais de 60% dos casos graves relacionados ao VSR ocorrem em pacientes com doenças cardiovasculares, e que infecções respiratórias podem precipitar eventos como infarto, acidente vascular cerebral e piora da insuficiência cardíaca devido à inflamação sistêmica.

O endocrinologista Rodrigo Mendes chamou atenção para o maior risco entre pessoas com diabetes, cuja glicemia elevada favorece agravamento de infecções. Pacientes com doenças respiratórias crônicas, como asma grave e DPOC, também enfrentam risco aumentado; segundo Rosemeri Maurici, a internação em UTI eleva em 70% a probabilidade de óbito desses pacientes nos três anos seguintes e acelera a perda de função pulmonar.

Vacinação

Vacinas contra o VSR que previnem formas graves da doença estão disponíveis, por enquanto, apenas na rede privada para adultos. No Programa Nacional de Imunizações do SUS, atualmente, há oferta da vacina apenas para gestantes, com o objetivo de proteger os recém-nascidos nos primeiros meses de vida.

Entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), recomendam a vacinação para pessoas de 50 a 69 anos com comorbidades e para todos os idosos a partir de 70 anos. Rosemeri Maurici sugeriu que sociedades médicas indiquem grupos prioritários à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por avaliar adoção de novas intervenções pelo Ministério da Saúde.

As especialistas apresentaram essas informações durante o seminário “Impacto do VSR na população 50+”, promovido pela farmacêutica GSK para jornalistas em São Paulo, realizado na terça-feira (7). A repórter participou do evento a convite da GSK.

Com informações de Agência Brasil

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