A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Nossa Senhora da Glória, localizada no alto sertão de Sergipe, alcançou dois meses de funcionamento no início de março e já contabiliza resultados que reforçam a assistência hospitalar na região. Desde a abertura, em 5 de janeiro, mais de 35 pacientes em estado grave foram internados e receberam cuidados de alta complexidade, evitando deslocamentos para centros urbanos distantes.
Avanço para a rede estadual
Responsável técnico pela UTI, o médico intensivista Danillo Barbosa avalia o período inicial como decisivo para qualificar o atendimento. “Agora conseguimos manter aqui pacientes que antes dependeriam de transferência para outras unidades”, afirmou. Para ele, a nova estrutura representa um passo importante não apenas para o hospital, mas para toda a rede pública de saúde sergipana.
Perfil dos pacientes atendidos
Nesses primeiros 60 dias, a idade média dos internados ficou em torno de 60 anos, com permanência média de sete dias. As principais causas de admissão foram doenças respiratórias – em especial casos de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) descompensada – infecções sistêmicas graves, como sepse, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e complicações do diabetes, a exemplo da cetoacidose diabética. Segundo Barbosa, esse panorama confirma o perfil esperado para uma UTI clínica: “São pessoas com doenças crônicas que apresentam piora aguda e necessitam de monitorização contínua e equipe especializada”.
Estrutura integrada e protocolos
O médico destacou que o período de implantação serviu para alinhar protocolos e integrar fluxos entre a UTI, a emergência, o laboratório e o setor de imagem do hospital. “A adaptação inicial já trouxe reflexos positivos na qualidade da assistência”, avaliou.
Primeiro paciente
O primeiro internado na nova unidade, Melky Shinayder Bezerra Lima, 36 anos, morador de Nossa Senhora do Socorro, deu entrada no mesmo dia da inauguração oficial e recebeu alta após cerca de 15 dias. Ele relatou ter se sentido acolhido durante toda a internação. “Se não houvesse vaga na UTI aqui, talvez eu precisasse esperar em outro município. O atendimento foi fundamental para a minha recuperação”, relatou.
Impacto no sertão sergipano
Para a superintendente do hospital, Everlyn Karla, a criação da UTI representa um marco no fortalecimento da assistência especializada no interior do estado. “A estrutura evita viagens longas, garante cuidado mais rápido e amplia a segurança de pacientes e familiares”, explicou. A gestora acrescentou que o compromisso agora é manter a qualificação contínua do serviço e, sempre que possível, ampliar a capacidade de atendimento.
Com o ritmo de admissões atual, a direção do Hospital Regional de Nossa Senhora da Glória considera que a unidade já demonstra capacidade de absorver a demanda local por cuidados intensivos, contribuindo para desafogar hospitais da capital e de outras regiões.
Com informações de Saude.se.gov
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