BRASIL — A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) divulgou carta pública nesta segunda-feira (18) reconhecendo conivência histórica no uso de cadáveres de pacientes de hospitais psiquiátricos em aulas de anatomia; a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) já havia formalizado pedido de desculpas no mês anterior.
- UFJF admitiu participação em práticas de segregação e violência contra pessoas internadas.
- A instituição registra ter recebido 169 corpos do Hospital Colônia de Barbacena entre 1962 e 1971.
- UFMG também reconheceu vínculos com o Hospital Colônia e anunciou ações de memória e mudanças curriculares.
- UFJF e UFMG destacaram a adoção de programas de doação voluntária de corpos em anos recentes.
Retratação da UFJF
A UFJF abriu carta à sociedade reconhecendo sua “conivência em dos momentos mais sensíveis da história da saúde pública do país” e enumerou como a segregação institucionalizada produziu diversas formas de violência contra pessoas internadas.
“em dos momentos mais sensíveis da história da saúde pública do país.” — Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
“a condições mínimas de sobrevivência e a práticas punitivas.” — Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Segundo a universidade, o Instituto de Ciências Biológicas (ICB) recebeu 169 corpos do Hospital Colônia de Barbacena entre 1962 e 1971. Como medidas de reparação simbólica, a UFJF anunciou ações educativas sobre direitos humanos e saúde mental, pesquisa documental sobre as conexões institucionais e o apoio à criação de um memorial. O comunicado também informa que, desde 2010, o Departamento de Anatomia adotou o Programa de Doação Voluntária de Corpos – Sempre Vivo, recebendo apenas doações voluntárias desde então.
Posição e medidas da UFMG
A UFMG formalizou pedido de desculpas público e afirmou que o reconhecimento de responsabilidade será acompanhado por ações de memória em conjunto com grupos da luta antimanicomial, restauração do livro de registro de cadáveres e inclusão do tema nas disciplinas de anatomia da Faculdade de Medicina.
“Ao falecerem, muitas dessas pessoas foram enterradas como indigentes ou tiveram seus corpos destinados a uma das 17 instituições de ensino médico para viabilizar aulas de anatomia” — Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Números e memória
Na carta, a UFJF cita estimativas sobre o Hospital Colônia de Barbacena que apontam para um grande número de mortes e para a comercialização de corpos para usos em ensino de anatomia, conforme registros históricos e obras jornalísticas.
“Estima-se que mais de 60 mil pessoas tenham morrido no local ao longo do século XX, muitas delas classificadas como indigentes, conforme relatado no livro Holocausto Brasileiro, da jornalista Daniela Arbex. A obra também registra que 1.853 corpos de internos foram comercializados para instituições de ensino da área da saúde, para uso em aulas de anatomia” — Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Leia a carta pública da UFJF aqui: https://www2.ufjf.br/noticias/2026/05/18/carta-de-retratacao-publica-da-ufjf-pelo-uso-de-cadaveres-do-hospital-colonia/
Acompanhe mais sobre luta antimanicomial na editoria de Saúde.
Crédito da imagem: Reprodução / Agência Brasil
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