A Secretaria de Estado da Saúde (SES) deu início nesta segunda-feira, 9, à Semana do Glaucoma no Centro Especializado em Reabilitação José Leonel Aquino (CER IV), em Aracaju. A mobilização busca alertar a população sergipana sobre a importância das consultas oftalmológicas regulares para evitar a perda de visão provocada pela doença.
Embora dedicado à reabilitação de pessoas com deficiência visual, o CER IV aproveita a ação para reforçar a prevenção. “Queremos que o paciente seja identificado antes de chegar à etapa de reabilitação. A articulação de toda a rede de atenção é essencial”, afirmou a gestora operacional de Reabilitação Visual, Ana Carolina de Jesus.
Doença silenciosa
Dados da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG) indicam que 80% a 90% dos casos não apresentam sintomas nas fases iniciais. O glaucoma é crônico, não tem cura, mas pode ser controlado com tratamento contínuo. Quanto mais cedo o problema for detectado, maiores são as chances de preservar a visão.
A oftalmologista do CER IV, Juliana Franca Machado, lembra que o sintoma mais comum, quando surge, é a perda progressiva do campo visual. “O paciente passa a esbarrar em objetos ou não percebe alguém caminhando ao lado porque a perda começa pelas laterais, como se enxergasse por um tubo”, explicou.
Há ainda a crise aguda de glaucoma, menos frequente, mas grave. Nesses episódios, a pressão intraocular sobe rapidamente, provocando dor intensa, vermelhidão, cefaleia, náuseas e vômitos. O quadro pode ser confundido com enxaqueca, e o atraso no atendimento pode levar a danos irreversíveis ao nervo óptico em poucos dias.
Exames e acompanhamento
O diagnóstico é feito em consulta oftalmológica, na qual o especialista mede a pressão intraocular, avalia o fundo de olho e solicita exames complementares, como campo visual e tomografia de coerência óptica. A recomendação é visitar o oftalmologista ao menos uma vez por ano. Para quem já possui diagnóstico de glaucoma, o retorno pode ser semestral ou trimestral, conforme a gravidade.
O fator hereditário aumenta o risco, mas pessoas sem histórico familiar também podem desenvolver a doença, o que reforça a necessidade de prevenção contínua.
Relato de paciente
O aposentado José Delfino de Sousa, de 63 anos, morador de Campo do Brito, ilustra as consequências do diagnóstico tardio. “Descobri o glaucoma em 2017 e já havia perdido praticamente toda a visão do olho direito”, contou. Hoje ele preserva de 30% a 40% da visão no olho esquerdo e segue em tratamento no CER IV, onde recebe acompanhamento multidisciplinar.
Apoio oferecido pelo CER IV
Pacientes com diagnóstico confirmado podem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para encaminhamento ao CER IV. Na unidade, a assistência envolve terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, psicólogo e assistente social. Além dos atendimentos individuais, são oferecidos projetos de pilates, grupos terapêuticos, treinamentos de orientação e mobilidade, atividades da vida diária e outras iniciativas voltadas à autonomia.
As ações da Semana do Glaucoma seguem até sexta-feira, reforçando o papel do Sistema Único de Saúde no cuidado integral da população e na redução do estigma relacionado à deficiência visual.
Com informações de Saude.se.gov
Siga o Foco SE e entre no nosso grupo de notícias de Sergipe.



