Associação de medicina de tráfego vê risco maior de mortes com mudança em regras de velocidade e renovação da CNH

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A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) divulgou uma diretriz sobre “Tolerância Humana a Impactos” que alerta para o crescimento expressivo do número de mortes no trânsito diante de variações aparentemente pequenas na velocidade e de novas regras que tornam automática a renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para condutores sem infrações.

Velocidade e gravidade dos sinistros

Segundo o documento, elevar o limite de velocidade de uma via em apenas 5% pode ampliar em até 20% a quantidade de óbitos entre os usuários. Esse efeito é atribuído à relação exponencial entre energia do impacto e velocidade do veículo. A Abramet sublinha que o corpo humano possui limites biomecânicos “inegociáveis” e que qualquer decisão administrativa deve considerar esses parâmetros.

O estudo observa que, em colisões com pedestres, ciclistas ou motociclistas, a velocidade responde por cerca de 90% da energia transferida à vítima. Dados do DataSUS indicam ainda que esses três grupos representam mais de três quartos das internações hospitalares relacionadas a acidentes de trânsito.

Frota de SUVs preocupa especialistas

A entidade chama atenção para a expansão de utilitários esportivos (SUVs) e veículos de frente mais alta, que aumentam o risco de lesões fatais em usuários vulneráveis mesmo em velocidades moderadas. A recomendação é que gestores adotem limites compatíveis com a tolerância humana e mantenham políticas permanentes de gestão de velocidade.

Renovação automática da habilitação

O alerta da Abramet ocorre após a entrada em vigor da Medida Provisória 1.327/2025, que autoriza a renovação automática da CNH, dispensando exames de aptidão física e mental para motoristas registrados no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC). Na primeira semana de vigência, 323.459 condutores foram contemplados, gerando economia estimada em R$ 226 milhões em taxas e exames.

A maioria dos beneficiados dirige carros (categoria B), que responderam por 52% das renovações. Motoristas com licença AB (carros e motocicletas) somaram 45%, enquanto condutores apenas de motocicletas (categoria A) representaram 3%. Profissionais das categorias C e D completam a estatística.

Grupos fora da nova regra

Nem todos os condutores têm direito ao processo automático. Seguem obrigados a procurar o Departamento de Trânsito estadual motoristas com 70 anos ou mais, que devem renovar o documento a cada três anos, e aqueles cuja validade foi reduzida por recomendação médica. A exclusão também vale para quem possui CNH vencida há mais de 30 dias. Para condutores com mais de 50 anos — obrigados a renovar a cada cinco anos — a renovação automática só poderá ser utilizada uma única vez.

Implicações médicas

A diretriz reforça que doenças neurológicas, cardiovasculares, distúrbios do sono, osteoporose e sequelas de traumatismos reduzem a tolerância humana a impactos, exigindo avaliação periódica individualizada por médicos do tráfego. Para a Abramet, a aptidão para dirigir não é permanente e varia conforme idade, saúde e exposição ao risco.

Ao reunir dados epidemiológicos, biomecânicos e clínicos, a associação conclui que políticas públicas sobre trânsito não podem priorizar apenas a fluidez viária ou conveniências administrativas, sob pena de agravar a ocorrência de mortes e sequelas graves.

Com informações de Infonet

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