Redata pode elevar capacidade de data centers no Brasil de 800 MW para 3 GW

William Kevim
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O Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), lançado pelo governo federal, tem potencial para atrair até R$ 2 trilhões em aportes e quase quadruplicar a infraestrutura de processamento de dados no País. Segundo a Associação Brasileira de Data Centers (ABDC), a potência instalada, hoje estimada em 800 megawatts, pode alcançar 3 gigawatts, colocando o Brasil na rota dos principais polos globais do setor.

Incentivos fiscais

A medida provisória zera PIS, Cofins, IPI e tarifas de importação sobre equipamentos usados em data centers, reduzindo a carga efetiva de 52% para cerca de 18%. O texto não contempla o ICMS — tributo estadual que continua sendo cobrado.

Contrapartidas ambientais e de P&D

Para aderir ao regime, as empresas devem utilizar energia renovável, adotar sistemas hídricos fechados, destinar 2% do investimento a pesquisa e desenvolvimento no País e reservar 10% da capacidade de processamento a universidades e companhias brasileiras.

Expectativa do mercado

Renan Lima Alves, presidente da ABDC, considera o Redata “uma janela espetacular” que pode reduzir a dependência do processamento de dados no exterior — hoje em torno de 60%, segundo o setor. A Brasscom, entidade que representa empresas de tecnologia, também elogiou a previsibilidade do programa; o presidente Affonso Nina projeta que, já em 2025, serão destravados mais de R$ 10 bilhões em novos projetos.

Planos de expansão

A Equinix, multinacional com mais de 270 data centers no mundo, investe US$ 110 milhões em um novo site em São Paulo e pretende acelerar sua estratégia no País. A brasileira WDC Networks mapeou 122 cidades aptas a receber estruturas regionais de “edge computing”.

A Amazon Web Services (AWS) anunciou em setembro passado US$ 1,8 bilhão em investimentos até 2034 e avalia o Redata como avanço importante, segundo o diretor-geral Cleber Morais. O Google Cloud instalou recentemente processadores TPU em seus centros locais; para o presidente global Thomas Kurian, a oferta de energia limpa e barata pode transformar o Brasil em hub de treinamento de modelos de inteligência artificial.

Visão de gigantes da IA

A OpenAI reconheceu, em nota, que a iniciativa fortalece a infraestrutura digital brasileira, mas defendeu uma regulação compatível com o desenvolvimento de modelos de IA. Já Marcos Paraíso, vice-presidente da Modular Data Centers, aponta a necessidade de segurança jurídica para proteger dados estrangeiros armazenados em território nacional.

Debate sobre sustentabilidade

O Redata exige operação com energia “verde”, critério que ainda será detalhado em regulamentação. Alessandro Lombardi, presidente da Elea Data Centers, vê vantagem competitiva nessa exigência. Por outro lado, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) criticou a falta de definições precisas sobre “energia limpa” e a ausência de regras para mineração, descarte de resíduos eletrônicos e ciclo de vida de componentes.

Segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, os empreendimentos que aderirem ao programa serão classificados como “data centers verdes”, em razão do uso predominante de fontes renováveis no País.

Fonte: Notícias ao Minuto

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.