Aracaju – A Polícia Federal (PF) realizou na manhã desta quarta-feira (25) a Operação Voto Livre, que apura um suposto esquema de compra de votos ligado às eleições municipais de 2024 no município sergipano de Divina Pastora.
De acordo com a corporação, agentes cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência de um dos investigados. O objetivo foi recolher documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que possam comprovar a prática ilícita. Os policiais deixaram o local levando celulares, computadores e anotações, que serão submetidos à perícia.
O inquérito foi instaurado em outubro do ano passado, depois que a Justiça Eleitoral de Sergipe recebeu uma denúncia sobre a possível compra de votos. Desde então, os investigadores analisam indícios apresentados no processo, entre eles conversas obtidas em aplicativos de mensagens que indicariam a negociação de vantagens em troca de apoio político.
Segundo as informações preliminares, o principal alvo da investigação teria articulado o repasse de benefícios a eleitores para favorecer uma candidatura à prefeitura de Divina Pastora nas eleições previstas para 2024. Os detalhes sobre a natureza desses benefícios, valores envolvidos e o número de pessoas supostamente cooptadas não foram divulgados para não comprometer o andamento das apurações.
A PF informou ainda que a operação de hoje marca uma fase de coleta de provas físicas, etapa considerada crucial para confirmar o teor do material digital já reunido. Novas diligências não estão descartadas. Caso sejam validados os indícios de corrupção eleitoral, os suspeitos poderão responder por crimes previstos na Lei 9.504/1997, que regulamenta as eleições no Brasil, além de delitos correlatos previstos no Código Penal.
Divina Pastora fica a cerca de 37 quilômetros de Aracaju e possui pouco mais de 5 mil habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por se tratar de um município de pequeno porte, os investigadores destacam que a eventual compra de votos pode impactar significativamente o resultado do pleito.
Até o momento, a Polícia Federal não divulgou o nome do suspeito nem se há outros envolvidos formalmente no processo. As investigações seguem sob sigilo judicial, e o material apreendido será encaminhado para análise pericial nas próximas semanas.
O Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE) acompanha o caso e deve receber relatórios parciais à medida que as provas forem sendo organizadas. Caso seja comprovada a prática, o procedimento poderá resultar em ações de cassação de registro de candidatura, multa e até prisão dos responsáveis.
Não houve prisão durante o cumprimento do mandado desta quarta-feira. Novas etapas da Operação Voto Livre podem ocorrer conforme o avanço das investigações.
Com informações de A8se
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