O Mapa Autismo Brasil (MAB), levantamento divulgado em 9 de abril de 2026 pelo Instituto Autismos, aponta que o acesso ao diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA) e a tratamentos terapêuticos permanece restrito no país. A pesquisa ouviu 23.632 participantes entre 29 de março e 20 de julho de 2025, incluindo 16.807 responsáveis por pessoas autistas, 4.604 adultos autistas e 2.221 pessoas que se identificam tanto como autistas quanto como responsáveis.
Transmissão: Band
O estudo mostra que, embora cerca de 25% da população brasileira tenha acesso a planos de saúde, apenas 20,4% dos entrevistados informaram ter o diagnóstico confirmado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em relação às terapias, 15,5% declararam realizá-las pela rede pública, enquanto mais de 60% recorrem a planos de saúde ou ao pagamento particular.
Diagnóstico e primeiros sinais
Concentram-se diagnósticos na faixa etária até 4 anos (51,7%), seguido por 5 a 9 anos (17,1%) e 10 a 14 anos (6,1%). A mediana de idade ao diagnóstico é 4 anos e a média é 11 anos, o que indica a existência de casos diagnosticados em idades mais avançadas. Segundo o levantamento, familiares perceberam os primeiros sinais em 55,9% dos casos e a própria pessoa autista em 11,4%; médicos sinalizaram em 7,3% e professores em 9,4%.
Quanto aos profissionais que fizeram o diagnóstico, 67% foram identificados por neurologistas ou neuropediatras e 22,9% por psiquiatras. Em termos de local de diagnóstico, 55,2% ocorreram na rede privada, 23% via planos de saúde e 20,4% pelo SUS, com maior dependência do sistema público nas regiões Norte e Nordeste.
Terapias e carga horária
As terapias mais frequentes relatadas foram psicoterapia (52,2%), terapia ocupacional (39,4%), fonoaudiologia (38,9%), psicopedagogia (30,8%) e terapia ABA (29,8%). Em menor escala apareceram fisioterapia (12,5%), nutrição (10,2%), musicoterapia (11,0%), psicomotricidade (15,0%), equoterapia (4,3%) e estimulação precoce (3,7%). Também foi informado que 16,4% dos participantes não realizam terapias.
Sobre a rede utilizada, 15,5% fazem terapias pelo SUS, 35,3% pelo plano de saúde, 28,5% na rede particular e 7,93% em associações como Apaes. Entre usuários do SUS, 33,8% acessam terapia ocupacional, contra 64,5% entre usuários de planos. A maioria das pessoas recebe poucas horas semanais de terapia: 25,90% relatam uma hora, 18,13% nenhuma e 12,44% duas horas por semana; apenas 1,54% alcança 40 horas ou mais. O instituto observa que 56,5% dos respondentes informaram até duas horas semanais de terapia.
Perfil sociodemográfico e comorbidades
O levantamento traça o perfil do autista brasileiro: 60,8% são brancos; 32% pardos; 5,2% pretos; 1,1% amarelos; e 0,25% indígenas. A proporção por sexo é de 65,3% homens e 34,2% mulheres; 72,1% têm até 17 anos e 27,9% têm entre 18 e 76 anos. Em termos de renda familiar, 28,6% informaram até R$ 2.862; 37,9% entre R$ 2.862 e R$ 9.540; e 20,33% acima de R$ 9.540.
Quanto ao nível de suporte, 53,7% estão no nível 1, 33,7% no nível 2 e 12,6% no nível 3. As comorbidades mais citadas foram TDAH (51,5%), transtorno de ansiedade (41,1%), transtornos do sono (27,9%), distúrbios gastrointestinais (23,2%), transtorno do desenvolvimento da linguagem (19,3%), altas habilidades/superdotação (19,1%), transtorno depressivo (17,5%), deficiência intelectual (16,4%) e transtornos específicos da aprendizagem (12,1%).
Cuidadores, benefícios e educação
Entre os responsáveis por pessoas autistas, 96% eram pais ou mães, com 92,4% sendo mães. Dos cuidadores, 55,2% declararam ter ensino superior completo ou pós-graduação; 30,47% relataram não ter renda ou estarem desempregados. Em termos de ocupação, 21,9% trabalham como servidores públicos e 16% como trabalhadores CLT.
Do total de entrevistados, 76,6% disseram utilizar algum benefício, entre os quais o cartão de identificação da pessoa com TEA (36,7%), atendimento preferencial (30%) e vaga de estacionamento para pessoa com deficiência (20,7%). Apenas 16,6% têm acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), 12,9% usam passe livre e 7,7% usufruem de isenção de IPVA.
Na educação, 83,7% frequentam instituição de ensino — 52,26% em escola pública e 31% em particular — enquanto 16% não cursam nenhuma instituição. Sobre apoios educacionais, 39,9% não recebem nenhum tipo de suporte; os recursos mais citados foram educador social/monitor/tutor (23,8%), acompanhamento especializado como mediador escolar ou acompanhante terapêutico (18,8%), adaptações pedagógicas (18,8%) e sala de recursos (18,1%).
Entre autistas na faixa de 18 a 76 anos, 29,9% afirmaram estar desempregados ou sem renda. Entre os empregados, 21,1% são servidores públicos, 20% têm carteira assinada, 8,1% são autônomos, 6,7% prestam serviços como pessoa jurídica e 5,9% trabalham sem carteira assinada; 4,1% dependem de auxílio governamental e 3,5% recebem aposentadoria ou pensão.
O Instituto Autismos ressalta que o Mapa Autismo Brasil oferece uma análise socioeconômica e de acesso a serviços, contribuindo para identificar demandas de aprimoramento em políticas públicas.
Com informações de Agência Brasil
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