A proposta de emenda à constituição que visa acabar com a escala 6×1 (PEC 221/2019) não será analisada diretamente pelo Plenário do Senado. Em declaração feita na terça-feira, 2 de junho de 2026, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, afirmou que a proposta terá que passar pelas comissões do Senado antes de seguir para votação.
“Essa proposta vai ter que tramitar nas comissões”, afirmou Alcolumbre. Ele destacou a importância de discutir o texto com profundidade, em vez de simplesmente “carimbar” uma proposição que já foi debatida por cinco meses na Câmara dos Deputados, onde a matéria foi aprovada no dia 27 de maio.
A PEC propõe o fim da escala 6×1, que atualmente determina uma carga de 44 horas semanais de trabalho, com seis dias trabalhados e um dia de folga. A nova proposta estabelece a jornada máxima de trabalho em 40 horas semanais, permitindo dois dias de descanso a cada cinco dias trabalhados, configurando a nova escala 5×2.
“Eu espero muito que, nesse debate, nós possamos, à altura do Senado Federal, da Casa da Federação, promover um aperfeiçoamento nesse texto. Seria muito razoável se o Senado pudesse melhorar um texto com essa importância, se os senadores pudessem debater um assunto dessa envergadura com calma, sem açodamento, sem pressa”, declarou Davi ao responder a um questionamento do senador Styvenson Valentim (Podemos-RN).
O presidente do Senado informou ainda que a tramitação da PEC será discutida em uma reunião na próxima semana com os líderes partidários e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Otto Alencar (PSD-BA).
Davi enfatizou a necessidade de ouvir todos os setores envolvidos para analisar a proposta de forma abrangente. “Eu quero que a gente fique com a maturidade institucional, com o dever cívico, com a nossa consciência, e que cada um tenha o discernimento da importância da votação dessa matéria. Não pode uma rede social, um ou outro ator cobrar do Senado que a matéria chegue de manhã e que a gente vote de tarde”, disse.
Além disso, o presidente do Senado comentou sobre a polarização política, ressaltando que o foco das discussões não deve se restringir apenas a questões eleitorais. “Este país está em eleição desde a última eleição. Quando a gente fala de Brasil, a pessoa fala de eleição. Quando a gente fala de país, fala de partido. Quando a gente fala de futuro, quer saber o que vai acontecer no dia 4 de outubro. Não é possível isso que está acontecendo com o Brasil”, concluiu.
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