O Ministério da Saúde inaugurou na terça-feira, 7 de abril de 2026, o Memorial da Pandemia no Rio de Janeiro, destinado a homenagear as mais de 700 mil pessoas que morreram em decorrência da covid-19 no Brasil. O espaço ocupa o edifício do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), que foi reaberto após quase quatro anos de obras com investimento aproximado de R$ 15 milhões.
Na abertura, duas obras chamaram a atenção do público. A primeira consiste em pilastras com letreiros digitais que exibem os nomes das vítimas acompanhados por informações sobre idade e cidade de residência. A segunda instalação, construída em alumínio naval, é formada por quatro silhuetas humanas de mãos dadas, simbolizando a união da sociedade no enfrentamento da pandemia.
Também foi apresentado o Memorial Digital da Pandemia, um portal desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS).
O acervo reunido dará origem a uma exposição itinerante que percorrerá seis capitais entre maio de 2026 e janeiro de 2027, com início previsto em Brasília e encerramento no Rio de Janeiro.
“O Brasil viveu uma crise sanitária e uma crise de responsabilidade pública durante a pandemia. O negacionismo custou vidas. A ciência já demonstrou que grande parte das mortes poderia ter sido evitada se tivéssemos seguido as evidências, incentivado a vacinação e protegido a população”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O ministro acrescentou que preservar a memória desse período é fundamental para que o país não repita os mesmos erros e para garantir que a defesa da ciência e da vida permaneça como princípio inegociável na gestão da saúde pública.
Está prevista para junho, no CCMS, a exposição “Vida Reinventada”, com curadoria da ex-ministra da Saúde Nísia Trindade. A mostra pretende apresentar interpretações sobre as respostas da sociedade à pandemia, articulando memória, ciência, arte e justiça.
Guia Nacional de Pós-Covid
No mesmo evento, o Ministério da Saúde lançou o Guia Nacional de Manejo das Condições Pós-Covid no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), elaborado em parceria com a Fiocruz. O documento orienta profissionais a identificar, diagnosticar e tratar sequelas persistentes da infecção, conhecidas como pós-covid, e substitui normativas anteriores, passando a ser referência única no SUS.
O guia detalha manifestações clínicas que podem surgir a partir de quatro semanas após a infecção, inclusive em casos leves ou assintomáticos, e aborda complicações nos sistemas cardiovascular, respiratório, neurológico e na saúde mental. Inclui protocolos diagnósticos, recomendações terapêuticas e fluxos assistenciais na Rede de Atenção à Saúde, com atenção especial a populações vulneráveis.
Instituições como a Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico) celebraram as iniciativas. A assistente social Paola Falceta, uma das fundadoras da associação, lembrou que perdeu a mãe de 81 anos no início da pandemia, após infecção por covid contraída em hospital depois de cirurgia cardíaca.
Paola disse que “tanto o memorial quanto o guia de manejo da covid-19 são demandas da nossa associação em conjunto com outras entidades. Elas começam judicialmente no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e são levadas adiante no diálogo com o governo atual”. Ela acrescentou que, embora muitas pessoas prefiram não relembrar o período por ser doloroso, é necessário manter a reflexão como forma de memória, justiça e prevenção de futuras conduções irresponsáveis em emergências de saúde pública.
As exposições e o material digital marcaram o lançamento do memorial e das diretrizes para atenção às sequelas da covid-19 no âmbito do SUS.
Com informações de Agência Brasil
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