Institutos nacionais de saúde dos países que integram o Brics iniciaram nesta segunda-feira (15) um encontro no Rio de Janeiro, promovido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com o objetivo de reforçar parcerias técnicas e científicas voltadas ao combate de problemas comuns e à preparação para futuras emergências sanitárias.
Durante o evento, os participantes elaboram uma carta de compromissos que será divulgada na quarta-feira (17). O documento deverá estabelecer metas para produção conjunta de medicamentos, vacinas e kits de diagnóstico, além de estratégias para ampliar o acesso da população dos países-membros às inovações em saúde.
Potencial científico do bloco
Segundo o representante da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) no Brasil, Cristian Morales, os institutos de saúde pública podem contribuir significativamente tanto na preparação quanto na resposta a crises causadas por fenômenos naturais, mudanças climáticas ou surtos epidêmicos. “É positivo que países com capacidades científicas, produtivas e econômicas, como os do Brics, colaborem para garantir acesso a novas tecnologias de saúde”, afirmou.
Alinhamento diante de cortes internacionais
A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, destacou que a redução do financiamento de programas globais de saúde pelos Estados Unidos favorece a articulação entre os países do bloco. “Vivemos um momento em que o país mais rico do mundo se afasta, enquanto nações buscam manter a ciência no centro das políticas públicas”, disse, lembrando que o Brasil ocupa a presidência do Brics neste ano.
Parceria contra doenças socialmente determinadas
Um dos eixos do trabalho conjunto é a Parceria pela Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas, firmada na última cúpula de chefes de Estado em julho. O acordo abrange enfermidades influenciadas por fatores socioeconômicos, como tuberculose, doença de Chagas, malária e hepatites virais, que atingem principalmente populações vulneráveis.
Desigualdade de acesso em foco
Para a vice-presidente de Saúde Global e Relações Internacionais da Fiocruz, Lourdes Oliveira, reduzir a disparidade no acesso a insumos e tratamentos é fundamental. “Queremos ampliar a capacidade local de produção e evitar repetir o cenário crítico vivido durante a pandemia”, ressaltou.
Atualmente, o Brics é formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia.
Fonte: Agência Brasil
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