Governo lança guia para incluir idosos no mundo digital

Rafael Ramos
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O Brasil dá um passo contra a exclusão digital na terceira idade. Consulta pública concluída pelo governo federal abre caminho para capacitar milhões de cidadãos acima de 60 anos.

No final de maio, o governo federal concluiu a consulta pública para o desenvolvimento do “guia orientativo para o desenvolvimento de competências digitais e midiáticas da pessoa idosa no Brasil”. Isso representa um passo significativo na promoção da inclusão digital para os cidadãos com 60 anos ou mais. Embora muitos idosos estejam cada vez mais imersos no mundo digital, diversas barreiras ainda dificultam seu acesso.

O relatório da Conferência Livre Nacional “Pelo direito da pessoa idosa à educação digital para ampliação do acesso ao cuidado integral” (CLNDPI-EDigital) destaca uma série de desafios enfrentados por essa faixa etária. Um exemplo claro é o idoso que depende de um plano de dados pré-pago e limitado, utilizando um smartphone que pode não ter uma interface amigável. Embora consiga trocar mensagens em aplicativos, enfrentar o preenchimento de formulários do governo (Gov.br) ou agendar consultas no Sistema Único de Saúde (SUS) pode ser uma tarefa difícil.

Na prática, a realidade mostra uma cidadania digital desigual entre os idosos: uma pequena parcela tem acesso pleno e qualificado, desfrutando das vantagens da tecnologia, enquanto a maioria vive uma experiência limitada, com baixa autonomia ou até mesmo excluída. O relatório menciona que essa situação configura uma violação dos direitos garantidos pelo Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003).

Esse cenário gera um sentimento de insegurança e baixa autoeficácia, levando muitos idosos a acreditarem que não conseguem aprender a usar a tecnologia, resultando no abandono desses recursos e no aumento do isolamento social. Portanto, a inclusão digital desse grupo é uma questão fundamental de direitos humanos. A seguir, estão algumas das principais demandas apresentadas por grupos de apoio à causa:

– Política de democratização: garantir acesso a ferramentas e dispositivos digitais (computadores, tablets, internet), com oferta gratuita para idosos de baixa renda.

– Acessibilidade de dispositivos: incentivar a indústria a desenvolver celulares adaptados às necessidades dos idosos.

– Estruturas comunitárias e descentralizadas: criar centros de informática utilizando equipamentos sociais e estruturas públicas (como conselhos, centros de convivência, Terceiro Setor, escolas, bibliotecas, praças públicas e pontos de cultura).

– Atendimento humanizado: proporcionar formação a profissionais que possam oferecer mentorias e capacitação em letramento, educação, desinformação e segurança digital.

– Uso seguro: priorizar a capacitação para desenvolver competências digitais, focando na aprendizagem e uso seguro de aplicativos, sistemas bancários e plataformas de saúde e seguridade social.

– Prevenção de golpes, fraudes e informações enganosas: capacitar os idosos sobre o uso seguro de serviços financeiros (como caixas eletrônicos e aplicativos) e ajudá-los a identificar fake news.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.