Uma família que havia retornado ao Líbano foi atingida por um ataque israelense no domingo, 26 de abril de 2026, no distrito de Bint Jeil, no sul do país. A brasileira Manal Jaafar, de 47 anos, seu marido libanês Ghassan Nader, de 57 anos, e um dos filhos do casal, de 11 anos, morreram no bombardeio. Outro filho, também brasileiro, sobreviveu e foi hospitalizado.
As informações sobre as mortes foram confirmadas na noite de segunda-feira (27) pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Mais detalhes sobre a ocorrência e a confirmação podem ser consultados na nota oficial da Agência Brasil aqui.
O jornalista libanês Ali Farhat, amigo de Ghassan e integrante da comunidade libanesa em Foz do Iguaçu (PR), afirmou que a notícia foi recebida com tristeza pela comunidade e que o caso expõe o sofrimento de familiares que vivem em áreas de conflito. Segundo Farhat, o Líbano já contabiliza mais de 2,5 mil mortos desde o início dos ataques, e a maioria das vítimas é civil.
“A gente recebeu a notícia com muito sofrimento e muita tristeza. É essa notícia que a comunidade recebe todos os dias sobre familiares, parentes e amigos”, disse Farhat. Ele descreveu os ataques como um “massacre” e afirmou que as ofensivas atingem mesquitas, cemitérios e residências civis, sem distinção entre militares e civis.
Farhat relatou ainda que a família viveu no Brasil por cerca de 12 anos e que Ghassan era conhecido na comunidade local. “Eles moraram no Brasil entre 1998 e 2010, mais ou menos. Ele era um empresário, ativista humanitário e uma pessoa culta, muito ligada à área cultural e econômica”, afirmou o jornalista, que reside no Brasil há 25 anos.
De acordo com membros da diáspora libanesa no Brasil, citados pelo relato, o casal havia voltado ao Líbano buscando maior estabilidade para a família. Ghassan, segundo Farhat, planejava estabelecer uma vida mais tranquila no país com a renda obtida no comércio enquanto morava no Brasil.
Repercussão na comunidade libanesa no Brasil
Melina Manasseh, que integra a Federação Árabe da Palestina no Brasil, comentou que ataques semelhantes ocorrem com frequência e avaliou que a atual ocupação no sul do Líbano segue padrões comparáveis aos observados na Palestina. Ela afirmou que não é a primeira vez que um brasileiro é morto em operações da ocupação e mencionou que a diáspora libanesa no Brasil, estimada em cerca de 9 milhões de descendentes, não se organiza de forma mais expressiva diante desses episódios.
A notícia segue como mais um registro do impacto dos ataques em áreas civis no Líbano, onde famílias têm sido forçadas a deixar suas casas e, em muitos casos, voltam a sofrer com novos ataques após pausas temporárias decorrentes de cessar-fogos.




