Eleitorado mantém grupos no poder em 11 estados já no primeiro turno

Claudio Vasconcelos
4 Min Leitura

Vinte governadores foram eleitos no primeiro turno, reforçando a continuidade política nos estados. Em 11 deles, venceram reeleitos ou vices que assumiram o comando.

Vinte dos 27 governadores foram definidos no primeiro turno das eleições estaduais neste domingo (4), um resultado que indica, segundo especialistas, uma tendência de manutenção de governos e consolidação de posições políticas em vários estados.

O comportamento do eleitorado e a presença de candidaturas que representavam a continuidade do projeto de gestão são apontados como fatores que explicam a vitória de muitos candidatos já no primeiro turno. Dos 27 estados, 11 venceram com candidatos que foram reeleitos ou que eram vices que haviam assumido o cargo.

“Só uma das explicações, né, pelo menos para 11 estados, foi de que foi uma escolha mais rápida, mais imediata, ainda no primeiro turno, porque justamente era uma sinalização de continuidade. Então, eu acho que pode ser um pouco uma combinação dessas duas coisas. Menos candidatos e várias candidaturas representando continuidade”.

— Fábio Kerche, professor da UniRio

Outro especialista destaca que, em diferentes regiões, houve uma cristalização de posições majoritárias, o que tornou desnecessário o segundo turno onde havia líderes claros. Ele citou exemplos regionais que ilustram essa concentração de votos.

“No Sul do Brasil, três governadores do PL se elegeram em primeiro turno. No Nordeste, três do PT. Então me parece que é muito mais um fenômeno de uma cristalização de uma posição majoritária dentro dos estados. Porque, por exemplo, se você tem um segundo ou terceiro candidato competitivo, o eleitor vota nele, mas leva eleição para um segundo turno. Não foi o caso dessas eleições”.

— Rodrigo Horochovski, doutor em Sociologia Política

O cenário de pouca mudança no mapa político estadual alimenta debates sobre a continuidade do diálogo entre estados e o governo federal caso haja reeleição ou troca na Presidência. Um dos especialistas avaliou comparações entre mandatos anteriores e ressaltou incertezas sobre como seria a relação entre o governo federal e governadores de orientação diversa, dependendo do ocupante do Palácio do Planalto.

“O Lula, quando governou, não há denúncias fortes de ele discriminando algum governador por ser de um partido ou de outro. Os governos foram atendidos independente da identificação partidária do governador. Em relação ao governo Bolsonaro, ou pelo menos do governo Flávio, é uma incógnita. A gente não pode dizer se vai acontecer o mesmo, se ele vai ter uma relação, vamos dizer assim, republicana, por exemplo, com governadores de esquerda”.

— Fábio Kerche, professor da UniRio

“As populações, por exemplo, cidadãos, cidadãs que estão lá nos estados, independentemente de quem é o governador, merecem um tratamento igualitário do governo federal. Que as políticas públicas sob responsabilidade do governo federal funcionem independentemente de onde se esteja. É isso que faz uma democracia funcionar”.

— Rodrigo Horochovski, doutor em Sociologia Política

Os resultados do primeiro turno também desenharam um ranking de partidos em número de governadores eleitos diretamente na disputa inicial, revelando a distribuição partidária entre os estados onde não haverá segundo turno.

Ranking dos partidos

  • PL — 5 governadores
  • PSD — 4 governadores
  • PT — 3 governadores
  • Republicanos — 2 governadores
  • MDB — 2 governadores
  • Progressistas — 2 governadores
  • Podemos — 1 governador
  • PSDB — 1 governador

Especialistas consultados destacaram que a predominância de candidaturas ligadas a projetos de continuidade e a ausência de rivais competitivos em algumas unidades federativas foram determinantes para que a eleição fosse decidida já no primeiro turno. A leitura desses resultados deverá orientar negociações e relações entre governos estaduais e o Executivo federal nos próximos meses.

Compartilhe essa Notícia
Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.