Debate sobre dignidade menstrual gera quase o dobro de engajamento nas redes, aponta pesquisa

Claudio Vasconcelos
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Um levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados examinou 173 mil publicações sobre menstruação postadas entre janeiro de 2024 e outubro de 2025 em diversas plataformas digitais. Juntos, esses conteúdos somaram 12,4 milhões de interações.

Postagens políticas e sociais envolvem mais o público

Embora 45% das publicações tratem de cólicas e dores menstruais e 20% abordem saúde feminina em geral, as postagens com enfoque social ou político apresentam maior repercussão. Dos 78 mil posts classificados em 22 subtemas, apenas 10,8% abordaram:

  • Pobreza e dignidade menstrual
  • Programa Dignidade Menstrual
  • Impacto na educação e no trabalho
  • Licença menstrual
  • Menstruação em crises humanitárias

Apesar do volume menor, esses tópicos geraram, em média, 1,8 vez mais interações que os demais.

“Quando o recorte é social e político, a participação quase dobra”, explica a diretora de Inteligência de Dados da Nexus, Ana Klarissa Leite e Aguiar.

Engajamento recorde em crises humanitárias e licença menstrual

O subtema “menstruação em crises humanitárias” representou só 0,34% dos conteúdos, mas alcançou a maior média de interações: 870,3 por publicação. Logo atrás veio “licença menstrual”, com 0,48% dos posts e 828,6 interações em média — sete vezes acima do volume publicado.

Políticas públicas impulsionam o tema

Entre os assuntos que estimulam a conversa estão o programa do Ministério da Saúde que distribui absorventes a mulheres em situação de vulnerabilidade e o projeto de lei que prevê licença remunerada para trabalhadoras com sintomas graves durante o ciclo menstrual.

ONG criada por adolescente amplia ações no país

No rastro desse debate, a jovem Luana Escamilla fundou, aos 16 anos, a Fluxo Sem Tabu. Criada em 2020, a organização já atendeu mais de 28 mil mulheres nas cinco regiões do Brasil, conta com 30 voluntárias e pretende impactar 50 milhões de pessoas até 2030.

Entre as iniciativas, está o projeto “banheiro fluxo”, que reforma sanitários e distribui informações sobre saúde menstrual. A ONG também leva ginecologistas a comunidades e desenvolve campanhas, como a que beneficiou 370 atletas em vulnerabilidade.

Segundo Escamilla, o estudo confirma que o público quer discutir dignidade menstrual além do acesso a absorventes: “Envolve infraestrutura, informação e saúde”.

Fonte: Agência Brasil

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.