As depredações ao Congresso Nacional, ao Palácio do Planalto e ao Supremo Tribunal Federal, em 8 de janeiro de 2023, foram o ápice de uma série de ações iniciadas logo após a derrota eleitoral do então presidente Jair Bolsonaro, em 30 de outubro de 2022. A seguir, confira a cronologia dos principais episódios que antecederam o ataque, três anos completados nesta quinta-feira (8).
Plano começou a ser discutido em 2021
De acordo com denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o núcleo bolsonarista passou a cogitar resistência a decisões do STF e a questionar a legitimidade do processo eleitoral ainda em 2021, poucos dias depois de Luiz Inácio Lula da Silva recuperar seus direitos políticos.
30 de outubro de 2022 – Resultado das urnas
Lula venceu a eleição presidencial com 50,9% dos votos válidos, contra 49,1% obtidos por Bolsonaro. O ex-presidente levou dois dias para se pronunciar e, mesmo assim, não reconheceu explicitamente a derrota, alimentando dúvidas entre seus apoiadores.
Fim de outubro e início de novembro – Bloqueios de rodovias
Na noite do segundo turno, caminhoneiros e simpatizantes de Bolsonaro iniciaram mais de mil bloqueios totais ou parciais em estradas federais, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF). A ação causou atraso em voos e risco de desabastecimento. Bolsonaro pediu a liberação das vias nos primeiros dias de novembro, e os bloqueios se dissiparam até o fim daquela semana.
Novembro em diante – Acampamentos diante de quartéis
Com a redução das barreiras nas estradas, manifestantes instalaram ao menos 100 acampamentos em frente a unidades das Forças Armadas em várias capitais. O principal foco ficou diante do Quartel-General do Exército, em Brasília, de onde partiram grupos que invadiram a Praça dos Três Poderes. Segundo a PGR, os acampamentos tinham anuência de Bolsonaro e serviriam para legitimar eventual intervenção militar.
12 de dezembro de 2022 – Noite de vandalismo em Brasília
No dia em que Lula foi diplomado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apoiadores de Bolsonaro tentaram invadir a sede da Polícia Federal, incendiaram veículos no Setor Hoteleiro Norte e bloquearam parte do Eixo Monumental. Foi um dos episódios mais violentos registrados na capital em décadas.
24 de dezembro de 2022 – Tentativa de atentado no aeroporto
Um artefato explosivo foi encontrado em um caminhão-tanque próximo ao Aeroporto Internacional de Brasília. O dispositivo não detonou. George Washington de Oliveira Sousa, Alan Diego dos Santos Rodrigues e Wellington Macedo de Souza foram presos e, posteriormente, tornaram-se réus no Supremo Tribunal Federal pelos crimes de associação criminosa, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e atentado contra a segurança de transporte aéreo.
1º de janeiro de 2023 – Posse sem incidentes
A cerimônia de posse de Lula transcorreu sem intercorrências, apesar do clima de tensão. Sete dias depois, ocorreu a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes.
8 de janeiro de 2023 – Invasão aos Três Poderes
Na tarde de domingo, milhares de radicais romperam barreiras policiais, ocuparam o Congresso, o Planalto e o STF e destruíram instalações internas, mobiliário e obras de arte. O objetivo declarado era provocar um golpe de Estado para retirar Lula, empossado havia uma semana, e manter Bolsonaro no poder.
Três anos depois – Atos em defesa da democracia
Nesta quinta-feira (8), o Palácio do Planalto realiza cerimônia com o presidente Lula, autoridades e representantes da sociedade civil. O Supremo Tribunal Federal também promove ações dentro da campanha “Democracia Inabalada”, reafirmando o compromisso com as instituições democráticas.
Fonte: Agência Brasil
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