Cota da China derruba exportações brasileiras de carne em agosto

Robson Alves
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Vendas externas caíram 27,1% em volume e 19,7% em valor ante agosto de 2025. Limite chinês para importações sem tarifa extra freou embarques.

As exportações brasileiras de carne bovina recuaram 27,1% em volume em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025. Em valor, a queda foi de 19,7%, com US$ 1,2 bilhão exportados no mês, ante US$ 1,5 bilhão um ano antes. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

A retração em agosto foi atribuída principalmente ao atingimento da cota de compras externas estabelecida pela China. O país asiático limita a 1,106 milhão de toneladas o volume de carne que pode entrar sem a aplicação de uma tarifa adicional de 55%.

O Ministério do Comércio da China comunicou ao Brasil, em 10 de agosto, que a utilização da cota havia chegado a 90%. Esse anúncio contribuiu para ajustes nas estratégias de embarque dos exportadores brasileiros.

Segundo o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, a redução dos embarques era esperada diante da aproximação do limite estabelecido pela China. De acordo com o diretor, os exportadores tendem a reduzir os volumes embarcados quando há risco maior de incidência da tarifa adicional, o que ajuda a explicar a perda de força das vendas brasileiras de carne bovina ao mercado chinês em agosto.

Apesar da queda em agosto, o desempenho no acumulado de 2026 permanece positivo. De janeiro a agosto, as exportações totais de carne resfriada e congelada do Brasil cresceram 4,7% em volume e 22,3% em valor, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Esses números indicam que, no acumulado, a pauta de carne bovina segue com avanço em receita, mesmo com interrupções pontuais nos embarques.

A China também influenciou o desempenho regional: em agosto, os embarques brasileiros para a Ásia recuaram 19,2% em volume e 10,9% em valor em comparação com agosto de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, porém, as exportações para a Ásia avançaram 15% em valor e 3,3% em volume, sinalizando uma recuperação no período mais amplo.

Em síntese, o movimento observado em agosto reflete principalmente efeitos tarifários e de cota por parte do mercado chinês, com impactos pontuais sobre volumes e faturamento no mês, enquanto o resultado acumulado no ano segue em terreno positivo.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.