Confirmação de sarampo em bebê de seis meses expõe fragilidade da cobertura vacinal

Portal de Notícias Foco SE
4 Min Leitura

Um caso de sarampo identificado em uma bebê de apenas seis meses, na capital paulista, reacendeu o debate sobre a necessidade de manter altas taxas de imunização no país. O diagnóstico foi confirmado na semana passada e é o primeiro registro da doença no Brasil em 2026.

A criança não havia recebido a vacina porque o calendário do Sistema Único de Saúde (SUS) prevê a primeira dose da tríplice viral — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola — somente aos 12 meses. Aos 15 meses, o esquema é reforçado com a tetra viral, que inclui proteção adicional contra a catapora.

Viagem à Bolívia e risco de casos importados

Segundo as autoridades de saúde, a bebê viajou com a família para a Bolívia em janeiro. O país vizinho enfrenta um surto de sarampo desde o ano passado. Especialistas reforçam que coberturas vacinais altas impedem que casos importados desencadeiem novos surtos no território brasileiro.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Renato Kfouri, lembra que o imunizante tem alta eficácia e bloqueia a transmissão do vírus. “Quando a maioria da população está imunizada, cria-se uma barreira que protege quem ainda não pode ser vacinado”, afirmou.

Dados de cobertura no Brasil

Em 2025, 92,5% dos bebês receberam a primeira dose da tríplice viral, mas somente 77,9% completaram o esquema na idade correta. Para Kfouri, a queda na segunda aplicação abre brechas para a circulação do vírus, considerado altamente contagioso.

Esquema recomendado para não imunizados

Adultos e crianças sem comprovante vacinal devem buscar o imunizante. A orientação é de duas doses para pessoas de 5 a 29 anos, com intervalo de um mês, e uma dose única para quem tem entre 30 e 59 anos. Gestantes e indivíduos imunocomprometidos não devem ser vacinados.

Situação continental

As Américas registraram 14.891 casos de sarampo em 2025, com 29 mortes distribuídas em 14 países. Somente até 5 de março deste ano, já são 7.145 infecções confirmadas, quase metade do total do ano anterior. México, Estados Unidos e Guatemala concentram a maior parte dos registros.

Kfouri frisa que a maioria dos infectados não estava vacinada, em especial crianças menores de um ano. Além das manchas vermelhas e da febre alta, o sarampo pode causar pneumonia e encefalite. Outro efeito grave é a supressão do sistema imunológico por até seis meses após a infecção, aumentando o risco de outras doenças.

Brasil mantém certificado de eliminação

Apesar do novo caso, o Brasil segue com o certificado de área livre do sarampo, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde em 2024. No entanto, o país já havia perdido esse status em 2019, após surtos iniciados por casos importados. Em 2025, foram confirmadas 38 infecções, a maioria vinda do exterior.

Autoridades de saúde reforçam a importância de completar o calendário vacinal para evitar que o cenário se repita. O monitoramento continua em todo o território nacional, especialmente em áreas com menor cobertura de imunização.

Com informações de Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Conta institucional do Foco SE. Assina as matérias produzidas ou editadas pela equipe do portal, quando não há assinatura individual. Correções, complementações e pedidos de direito de resposta podem ser enviados para contato@focose.com.br e são publicados com o mesmo destaque da matéria original, nos termos da Lei nº 13.188/2015.