Um dia nacional de mobilização tomou as ruas do Rio nesta terça (30). Trabalhadores marcharam 6 km pedindo fim da escala exaustiva que ainda domina o mercado de trabalho brasileiro.
Na manhã desta terça-feira, 30 de junho de 2026, ocorreu uma manifestação no Rio de Janeiro que marcou o início do Dia Nacional de Mobilização pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6×1. Centenas de pessoas se reuniram, empunhando bandeiras e faixas, em um percurso de cerca de 6 quilômetros, incluindo trechos da Avenida Brasil, uma das principais vias da capital fluminense. A caminhada durou quase duas horas.
Entre os participantes, estava Fátima Dantas de Souza Alves, uma operadora de caixa de 22 anos, que expressou seu descontentamento: “Nós estamos cansados!”. Fátima, que trabalha em pé por oito horas diárias, enfatizou que o fim da escala de trabalho atual, que oferece apenas um dia de folga por semana, traria “diversos alívios” para sua vida. Ela destacou a importância de ter mais tempo para cuidar da saúde e da família, apontando que atualmente não consegue dedicar tempo de qualidade aos seus entes queridos.
“Não tenho tempo de cuidar da minha saúde”, relatou Fátima, que sonha em ingressar na faculdade e se tornar professora.
A mobilização é parte de uma ação nacional organizada por diversas entidades, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o movimento Vida Além do Trabalho (VAT). Ao todo, atos estão programados para 21 cidades em 14 estados e no Distrito Federal.
O objetivo dos manifestantes é pressionar pela tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que visa reduzir a carga horária semanal de 44 para 40 horas e garantir dois dias de descanso remunerado, sem diminuição salarial. A PEC já foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio, mas atualmente está parada no Senado, aguardando a análise do presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
No início de junho, Alcolumbre comentou que a PEC deveria ser analisada “sem pressa” e que poderiam haver “melhorias” no texto. Na quarta-feira, 1º de julho, ativistas se reunirão com ele para discutir o andamento da pauta.
O vereador Rick Azevedo, do PSOL, um dos articuladores do movimento, declarou que este é um “momento crucial para os trabalhadores brasileiros”. Ele criticou a lentidão na tramitação da PEC e reforçou que a classe trabalhadora não desistirá de seus direitos.
“Hoje não se trata mais só de um balconista de farmácia querendo o fim da escala 6×1. O recado concreto que a gente pode dar hoje é que nós não vamos desistir”, afirmou Azevedo.
Gabriel Siqueira, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), ressaltou o apoio da população durante a manifestação, destacando a solidariedade de diversas categorias, incluindo os motoristas de ônibus, que entraram em greve no mesmo dia.
O presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Márcio Ayer, também comentou sobre os impactos da jornada 6×1, ressaltando que mais dias de descanso levariam a uma maior dedicação ao trabalho e, consequentemente, a um aumento na produtividade.
Recentemente, diversas pesquisas têm analisado os efeitos da mudança da escala de trabalho na economia, com opiniões divergentes sobre seus impactos. Enquanto alguns representantes do setor produtivo apontam para possíveis efeitos negativos, outros defendem que mais dias de folga podem aumentar a motivação dos empregados e impulsionar a economia.
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