Estudo inédito da CNI revela o peso da biodiversidade na economia nacional. O setor já representa 25% do PIB e pode avançar ainda mais até 2032.
O Brasil, conhecido por abrigar a maior biodiversidade do planeta, já apresenta uma bioeconomia que movimenta cerca de R$ 2,7 trilhões, o que representa 25,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Além disso, um estudo inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que a bioeconomia baseada no conhecimento, que transforma recursos biológicos em inovação, tecnologia e produtos de alto valor agregado, tem potencial para movimentar mais R$ 700 bilhões por ano até 2032.
O levantamento, que analisa a década de vigência da Lei da Biodiversidade (Lei nº 13.123/2015), destaca que o Brasil possui as condições necessárias para liderar áreas tecnológicas consideradas estratégicas para a economia do futuro.
Entre essas áreas estão a biomanufatura, biomateriais, bioinsumos, proteínas alternativas e bioplásticos, além de setores já consolidados como o farmacêutico e o de cosméticos.
No entanto, mesmo com esse cenário promissor, o estudo aponta que a instabilidade regulatória tem afastado pesquisadores, investidores e parcerias internacionais.
“Muitas empresas acabam desistindo de projetos, adiando investimentos ou enfrentando altos custos em função da complexidade das regras”, afirma Davi Bomtempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI.
Segundo Bomtempo, o Brasil pode ser mais do que um simples exportador de biomassa, destacando que o país tem a capacidade de liderar a biomanufatura global e desenvolver novos produtos de alto valor agregado, como fármacos e soluções biotecnológicas.
Entretanto, ele ressalta que a inovação só prospera em um ambiente com regras claras.
O levantamento também revela que 82% das empresas consideram a insegurança jurídica como o principal desafio para atuar no setor.
A principal preocupação gira em torno das mudanças frequentes na interpretação das normas relacionadas ao acesso ao patrimônio genético brasileiro, incluindo microrganismos, plantas e animais, além do uso de conhecimentos tradicionais associados.
Isso gera incertezas sobre o que pode ou não ser feito por empresas e instituições de pesquisa, aumentando o risco de punições.
O estudo reitera resultados de uma pesquisa da CNI realizada no final do ano passado, na qual mais de 80% dos executivos afirmaram defender o uso sustentável da biodiversidade como um ativo estratégico para os negócios.
Entre os entrevistados, 32% afirmam que a biodiversidade deve ser conservada com uso sustentável; 29% defendem sua integração aos negócios de forma sustentável; e 28% acreditam que o tema deve ser parte das políticas de responsabilidade socioambiental das empresas.
Apenas 5% defendem a preservação total, sem uso econômico dos recursos naturais.
A diferença é significativa: enquanto preservar significa manter a natureza intocada, conservar, que é a visão majoritária entre os empresários, envolve o uso racional e sustentável dos recursos naturais.
Outro ponto destacado pelo estudo é a situação do Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado (SisGen), uma plataforma digital criada para simplificar o cadastro de atividades relacionadas ao patrimônio genético brasileiro.
O levantamento aponta que o sistema apresenta limitações tecnológicas e necessita de atualizações.
Essas dificuldades impactam funções importantes, como a regularização de instituições estrangeiras, dificultando a atração de investimentos e parcerias de pesquisa internacionais.
A CNI também observa que a falta de integração do SisGen com outras bases públicas aumenta o retrabalho das empresas, tornando mais lenta a análise de processos pelo poder público e, consequentemente, prejudicando o lançamento de inovações no mercado.
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