A recente classificação dos grupos criminosos brasileiros Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras pelos Estados Unidos traz uma série de implicações significativas. O anúncio foi feito na quinta-feira, 28 de maio, pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, que ressaltou a gravidade da situação, descrevendo esses grupos como “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”. A decisão entra em vigor no dia 5 de junho e ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com Rubio e o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, na Casa Branca, onde enfatizou a necessidade dessa classificação.
Nas redes sociais, Flávio Bolsonaro expressou sua satisfação com a decisão, afirmando que “o povo brasileiro de bem agradece a atenção e o compromisso do secretário Rubio e do presidente Trump”. Ele destacou a luta pela paz no Brasil e o futuro promissor do país.
A designação como organização terrorista traz consequências legais imediatas. De acordo com a legislação americana, é crime federal fornecer qualquer tipo de “apoio material” a esses grupos, o que inclui recursos financeiros, treinamento e equipamento. Instituições financeiras nos EUA que identificarem ativos relacionados ao PCC ou ao CV serão obrigadas a bloquear esses recursos e notificar o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac).
O analista Nelson Ricardo Fernandes, especialista em riscos e geopolítica, prevê que o impacto mais imediato dessa classificação será sentido nas finanças das facções. Ele destaca que a operação internacional do PCC depende de uma rede financeira robusta que sustenta o tráfico de drogas e a compra de armas. Com a nova designação, será possível utilizar o sistema financeiro americano para rastrear e bloquear fluxos de recursos.
Após os EUA classificarem cartéis mexicanos como terroristas em fevereiro de 2025, o Departamento do Tesouro começou a rastrear e interromper operações financeiras suspeitas. Essa mesma abordagem pode ser aplicada ao PCC e ao CV, levando a um possível desligamento desses grupos do sistema financeiro internacional.
Além disso, a classificação poderá acelerar propostas no Brasil para reconhecer oficialmente essas facções como terroristas. PCC e CV agora se juntam a uma lista de mais de 90 organizações terroristas reconhecidas pelos EUA, que inclui grupos islâmicos como Al-Qaeda e Estado Islâmico.
A possibilidade de ações militares também não pode ser descartada. A história recente de intervenções militares dos EUA na América Latina sugere que a designação de um grupo como terrorista pode levar a operações mais amplas. Em setembro de 2025, por exemplo, os EUA lançaram a Operação Southern Spear, que envolveu o deslocamento de tropas e equipamentos para combater grupos terroristas na região.
A professora de Relações Internacionais da ESPM, Denilde Holzhacker, alerta que as preocupações do governo brasileiro são válidas, dado o uso de instrumentos militares e financeiros pelos EUA para combater grupos classificados como terroristas. A situação requer atenção cuidadosa para evitar qualquer tipo de intervenção que possa ocorrer em solo brasileiro.
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