Financiamento imobiliário em Sergipe bate recorde mesmo com juros altos

Rafael Ramos
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Carteira para pessoas físicas somou R$ 12,1 bilhões em junho, alta de 14% em 12 meses. Inadimplência das operações chegou a 1,63%.

O crédito habitacional destinado a pessoas físicas em Sergipe chegou a R$ 12,1 bilhões em junho de 2026, o maior valor da série histórica do Banco Central. O montante representou crescimento de 14% em relação aos R$ 10,6 bilhões registrados um ano antes. Ao mesmo tempo em que a carteira avançou, a taxa de inadimplência das operações alcançou 1,63%.

O resultado aconteceu mesmo em um cenário de juros elevados, que encarecem os financiamentos e aumentam o custo das operações para as famílias. Segundo a avaliação de um assessor de Ciclo de Crédito da Central Sicredi Nordeste, o comportamento do crédito imobiliário difere de outras modalidades por estar ligado a necessidades de longo prazo das famílias.

“O crédito imobiliário tem uma característica diferente de outras modalidades porque está diretamente ligado a uma necessidade de longo prazo das famílias. Mesmo em cenários de juros mais elevados, existe uma demanda que permanece, seja para aquisição da moradia, seja para substituição ou ampliação do imóvel”

Artur da Silva Figueiredo é identificado no material como assessor de Ciclo de Crédito da Central Sicredi Nordeste e destacou esse ponto.

Apesar da perda de força da poupança como fonte de recursos, os financiamentos imobiliários com recursos da poupança movimentaram R$ 743 milhões em Sergipe no primeiro semestre de 2026 — alta de 127% em comparação ao mesmo período de 2025, segundo dados da entidade setorial citada.

“Nos últimos anos, a estrutura de funding do crédito imobiliário passou por uma diversificação. Além da poupança, recursos do FGTS e instrumentos como LCIs e CRIs passaram a ter uma participação importante. Isso amplia as possibilidades de captação e permite que o mercado continue atendendo à demanda por financiamento”

Essa diversificação de fontes foi apontada como fator que ampliou possibilidades de captação e manteve a oferta de crédito imobiliário ativa no estado.

Para o sócio da Eco Construtora, Carlos Feitosa, os números refletem a dinâmica do mercado e o papel do financiamento na transformação da demanda em vendas concretas.

“O financiamento transforma a demanda reprimida em venda concreta ao diluir o valor do imóvel em parcelas compatíveis com a renda, permitindo que o cliente que hoje aluga possa se tornar proprietário. Em um mercado que ainda enfrenta um déficit habitacional elevado, o financiamento é uma ponte entre o desejo pelo imóvel próprio e a realidade financeira do brasileiro”

O movimento também apareceu nas cooperativas de crédito: em Sergipe, a carteira imobiliária do Sicredi cresceu 18,5% em 12 meses em julho de 2026. A cooperativa alcançou essa expansão ao permitir financiar até 90% do valor de imóveis residenciais em operações com prazos de até 35 anos, seguindo sistema de amortização constante, em que o valor das parcelas tende a diminuir ao longo do tempo.

A instituição projeta multiplicar por mais de dez vezes sua carteira de crédito imobiliário até 2029, estratégia que combina expansão da oferta com captação de recursos para novas operações. O crescimento da carteira é visto também como forma de gerar relacionamentos de longo prazo com associados, que podem utilizar outros produtos e serviços financeiros ao longo do contrato.

“O crédito imobiliário é uma operação de longo prazo e, por isso, tem potencial de gerar um relacionamento mais duradouro. O associado que contrata um financiamento pode utilizar outros produtos e serviços financeiros da instituição ao longo desse período”

O especialista citado no material reforçou ainda que o financiamento pode integrar planejamento patrimonial, permitindo preservar liquidez e estruturar a aquisição de um bem que pode compor o patrimônio familiar.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.