A anemia, caracterizada pela baixa quantidade de hemoglobina no sangue, pode se manifestar por meio de sintomas como cansaço excessivo, falta de apetite e palidez na pele e mucosas. Recentemente, um estudo inédito revelou um método inovador para detectar essa condição utilizando vídeos curtos da parte branca dos olhos.
Publicada em 8 de abril na revista Npj Digital Medicine, essa nova tecnologia não substitui os exames de sangue tradicionais, mas tem o potencial de facilitar a triagem de pacientes, ajudando a identificar aqueles que necessitam de hemogramas completos. Essa abordagem pode ser especialmente valiosa em regiões com acesso limitado a laboratórios, como ocorre em países de baixa renda.
Existem alternativas, como o dispositivo Pronto-7, que mede os níveis de hemoglobina emitindo luz através das unhas. No entanto, essa tecnologia, aprovada pelo FDA em 2021, pode não ser tão precisa em indivíduos com pele mais escura.
A parte branca dos olhos, que possui baixo pigmento, oferece uma aparência semelhante em diferentes etnias, tornando-se um recurso útil para avaliar parâmetros de saúde. Para o estudo, os pesquisadores utilizaram um microscópio com ampliação de 50x, gravando vídeos de 10 segundos da esclera (parte branca dos olhos) de 224 voluntários, incluindo pessoas saudáveis e aquelas com câncer e distúrbios sanguíneos, no Centro Médico Sheba, em Israel.
Utilizando um software chamado Video-to-Vessels, os cientistas transformaram os vídeos em imagens em time-lapse dos vasos sanguíneos oculares. Em seguida, aplicaram um modelo de inteligência artificial chamado VesselNet para prever os níveis de hemoglobina e o número de glóbulos vermelhos ao analisar padrões no fluxo sanguíneo.
Os resultados mostraram que o modelo foi capaz de identificar corretamente a presença de anemia em aproximadamente 83% dos casos. Para comparação, o Pronto-7 alcança taxas de acerto entre 80% a 88% para homens e entre 84% a 87% para mulheres.
Os pesquisadores do estudo têm planos de contar também os glóbulos brancos, caso consigam desenvolver uma câmera com maior resolução e ampliação. Além disso, estão cotando a realização de testes adicionais e estudos com grupos mais amplos e diversos, incluindo pacientes com anemia por deficiência de ferro, que estavam sub-representados na amostra inicial.
Siga o Foco SE e entre no nosso grupo de notícias de Sergipe.



