A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Polícia Federal (PF) vão assinar um acordo de cooperação para enfrentar, de forma conjunta, o mercado ilegal das chamadas canetas emagrecedoras — medicamentos injetáveis que utilizam substâncias como tirzepatida e semaglutida no tratamento da obesidade.
O diretor da Anvisa, Daniel Pereira, afirmou que a parceria permitirá intensificar ações contra crimes e riscos sanitários relacionados à produção, importação e comercialização irregular desses medicamentos. Segundo ele, o objetivo é frear a venda de produtos sem registro e sem comprovação de origem e qualidade, inclusive quando realizados por meio de plataformas digitais.
“Esta articulação ganha ainda mais relevância diante do aumento expressivo de eventos adversos associados ao uso destes medicamentos, muitas vezes sem prescrição médica ou com produtos sem qualquer garantia de qualidade, pureza ou segurança”, disse Pereira ao abrir, em 6 de maio de 2026, a 7ª Reunião Pública da diretoria da agência.
De acordo com o diretor, a cooperação formaliza um modelo de atuação já adotado em operações pontuais, como a operação Heavy Pen, realizada no mês anterior. Na ação foram cumpridos 45 mandados judiciais de busca e apreensão e realizadas 24 fiscalizações em estabelecimentos nos estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Roraima, Rio Grande do Norte, São Paulo, Sergipe e Santa Catarina. Mais informações sobre a operação podem ser consultadas em relatório disponível no site da Agência Brasil aqui.
Na prática, medicamentos apreendidos em operações futuras serão submetidos a análises integradas, com perícia da PF e suporte técnico da Anvisa, para avaliar a composição dos produtos ilícitos. Essa articulação técnica visa tanto a avaliação do risco sanitário à população quanto o fortalecimento de inquéritos criminais que buscam desarticular cadeias ilícitas, muitas delas interestaduais e apoiadas por plataformas digitais.
“Trata-se, portanto, de uma cooperação que vai além da resposta pontual. Ela consolida um modelo de atuação integrada, preventiva e baseada em evidências”, afirmou Pereira.
O diretor ressaltou ainda que a proteção da saúde pública exige coordenação entre diferentes esferas do governo e a conciliação entre rigor técnico e disponibilidade de medicamentos. Em suas palavras, “a saúde pública do século 21 exige instituições fortes, técnicas, éticas e comprometidas com o bem coletivo”.
Para Pereira, a eficiência da atuação regulatória depende do diálogo estruturado entre regulação, fiscalização, investigação e repressão criminal, objetivo central do acordo entre Anvisa e Polícia Federal.
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