O diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, afirmou nesta quinta-feira (23) que, diante do retorno do sarampo nas Américas, o principal desafio não é a falta de vacinas, e sim alcançar as pessoas que permanecem sem imunização.
Segundo Jarbas, fatores como a percepção reduzida do risco da doença, a desinformação e barreiras de acesso aos serviços de saúde contribuem para a queda na cobertura vacinal. Ele ressaltou que, quando a cobertura diminui, o vírus reaparece, já que o sarampo é uma das doenças mais contagiosas conhecidas.
A Opas recorda que as Américas foram a primeira região do mundo a obter a eliminação do sarampo em 2016, perderam esse status em 2018, reconquistaram o certificado em 2024 e o perderam novamente em 2025. Em 2025, foram confirmados 14.767 casos em 13 países da região, número 32 vezes superior ao registrado no ano anterior. Até o início de abril de 2026, foram reportados 15,3 mil casos confirmados, com México, Guatemala, Estados Unidos e Canadá somando a maioria das ocorrências.
Em 2025, a região notificou 32 óbitos relacionados ao sarampo. No primeiro trimestre de 2026, ao menos 11 mortes foram comunicadas, principalmente entre populações vulneráveis que enfrentam maiores dificuldades de acesso ao atendimento médico.
Jarbas alertou que um único caso pode desencadear um surto se a cobertura vacinal com as duas doses recomendadas não atingir pelo menos 95% da população. Ele também lembrou que, nos últimos 25 anos, a vacinação contra o sarampo evitou mais de 6 milhões de mortes nas Américas e afirmou que é possível recuperar o status de região livre do sarampo, desde que haja compromisso político contínuo, investimentos em saúde pública e ações para restaurar a confiança nas vacinas e combater a desinformação.
Brasil
Apesar do cenário regional, o Brasil mantém o status de país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo, conquistado em 2024. Em 2025, o país registrou 3.952 casos suspeitos: 3.841 foram descartados, 46 permanecem em investigação e 38 foram confirmados. Dos casos confirmados, dez foram importados, 25 relacionados à importação e três com fonte de infecção desconhecida.
Até meados de março de 2026, o Brasil notificou 232 casos suspeitos e confirmou dois casos: uma criança de 6 meses, residente em São Paulo, com histórico de viagem à Bolívia; e uma jovem de 22 anos, residente no Rio de Janeiro, com investigação em andamento. Ambos os casos envolveram pessoas não vacinadas.
Transmissão, sintomas e prevenção
O sarampo é uma infecção viral aguda, altamente transmissível, difundida por via aérea ou gotículas respiratórias. Entre os sintomas estão febre, tosse, coriza, perda de apetite, conjuntivite e erupções cutâneas que começam no rosto e se espalham pelo corpo. A doença pode evoluir para complicações graves, como cegueira, pneumonia e encefalite.
A principal forma de prevenção é a vacinação, oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e incluída no calendário infantil: primeira dose aos 12 meses e segunda dose aos 15 meses. Pessoas com até 59 anos que não tenham comprovante de imunização ou não tenham completado o esquema vacinal devem atualizar a carteira de vacinação.
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