O Serviço de Ortopedia do Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse) consolidou, em 2025, sua posição de principal referência do estado no atendimento a vítimas de trauma. Ao todo, foram executados 3.348 procedimentos cirúrgicos ortopédicos, soma das intervenções realizadas na sede do Huse (1.578) e na unidade de retaguarda instalada no Hospital da Polícia Militar (HPM), que respondeu por 1.770 procedimentos. O volume representa expansão superior a 38% em relação aos 2.415 registros de 2024.
Responsável técnico pelo serviço, o médico ortopedista Antônio Cabral avalia que a elevação reflete a crescente procura por tratamento especializado. “Os dados comprovam nossa capacidade de receber casos graves e de alta complexidade, provenientes da capital, de municípios do interior e até de estados vizinhos, como a Bahia”, pontuou. De acordo com o profissional, a rede de hospitais regionais também contribui para absorver parte da demanda, diminuindo a necessidade de deslocamentos longos.
Assistência contínua
O acompanhamento aos pacientes não termina na sala cirúrgica. O Huse contabiliza aproximadamente 25 mil atendimentos ambulatoriais de retorno por ano, estendendo o cuidado por até 12 meses após a operação. “Garantimos a estabilidade inicial, realizamos o procedimento e seguimos monitorando a reabilitação no ambulatório de ortopedia”, explicou Cabral.
A unidade ainda abriga o único serviço público de ortopedia oncológica de Sergipe, ampliando o escopo de atuação e reforçando o papel de referência estadual.
Acidentes de trânsito em destaque
A maior parte dos atendimentos decorre de acidentes de trânsito, sobretudo envolvendo motociclistas. Levantamento recente da instituição revela média diária de 16 admissões, das quais cerca de 12 são de condutores de moto — proporção que ultrapassa 75% dos casos. “Os traumas atuais costumam ser de alta energia, com múltiplas fraturas em membros, coluna, tórax ou abdômen, exigindo intervenções de urgência e suporte intensivo”, relatou o ortopedista.
Para dar conta do fluxo, a equipe multiprofissional inclui ortopedistas, cirurgiões gerais, neurocirurgiões, anestesistas, fisioterapeutas, enfermeiros e suporte de UTI. O primeiro contato dos feridos ocorre na observação cirúrgica/Ala Verde do Huse, de onde podem seguir para o próprio centro cirúrgico ou para o HPM.
Cirurgias de mão
Além dos traumas gerais, o hospital realiza triagem de pacientes com lesões ou doenças da mão. As cirurgias desse segmento são executadas no Hospital Regional de Nossa Senhora do Socorro por equipe especializada. Somente em 2025, foram contabilizadas 908 intervenções desse tipo.
Relato de paciente
Entre os atendidos está o motorista Raílton Silva da Anunciação, 47 anos, de Aracaju, que sofreu grave acidente de moto em 25 de fevereiro. “Cheguei muito machucado, com fratura na tíbia, no joelho e estiramento no pé. Fiz a cirurgia ontem e já sinto melhora”, relatou. Ele elogiou a rapidez e a organização do atendimento, classificando-o como “humano e eficiente”.
Com a ampliação de estruturas e a integração de serviços, o Huse projeta manter o ritmo de crescimento dos procedimentos, assegurando tratamento completo aos pacientes ortopédicos em Sergipe.
Com informações de Saude.se.gov
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