Diplomatas alertam que a ausência de consenso sobre um roteiro de reforma para a Organização Mundial do Comércio (OMC), a ser discutido na próxima semana, tende a empurrar os países para iniciativas alternativas de livre-comércio.
Os ministros do Comércio dos 164 integrantes da OMC reúnem-se por quatro dias em Yaoundé, capital dos Camarões, em um momento crucial para o organismo que sucedeu o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), criado após a Segunda Guerra Mundial para regular o comércio global.
Fontes ouvidas pela Reuters afirmam que, se o encontro não definir um caminho viável de modernização, governos dependentes de exportação e importação podem priorizar negociações bilaterais ou regionais fora da estrutura multilateral.
A necessidade de atualização ganhou urgência diante de desafios externos. A guerra conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã interrompeu o fornecimento internacional de energia e ameaça pressionar ainda mais a economia mundial. Paralelamente, a imposição de tarifas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, acirrou disputas comerciais, minando a relevância da OMC, cujo mecanismo de solução de controvérsias está paralisado há seis anos.
De acordo com diplomatas e documentos internos, a maioria dos membros concorda que a organização carece de reformas, mas diverge sobre o formato e o ritmo das mudanças. Para o ministro do Comércio da Suécia, Benjamin Dousa, persistem obstáculos consideráveis. “Nosso ‘Plano A’ é conseguir a reforma dentro do sistema da OMC, mas há muitos obstáculos”, observou. Ele acrescentou que um eventual fracasso em Yaoundé motivaria a União Europeia a “seguir um caminho paralelo”.
O cenário de incerteza repercute em outras discussões recentes no próprio foro comercial. Em agosto de 2025, por exemplo, os Estados Unidos aceitaram uma consulta do Brasil sobre tarifas, alegando “segurança nacional”. Um mês antes, em julho, Brasília já havia defendido na OMC que barreiras não podem ser usadas contra a soberania dos Estados.
Diante da combinação de choques geopolíticos e desacordos internos, autoridades ouvidas preveem que novas coalizões comerciais ganhem força caso Yaoundé não produza avanços concretos. Para esses interlocutores, acordos externos ao sistema multilateral seriam uma tentativa de preservar fluxos de comércio enquanto a reforma não sai do papel.
Com informações de Agência Brasil
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