O ex-presidente Jair Bolsonaro foi levado, na sexta-feira, 13 de março de 2026, à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília. Segundo boletim divulgado pela equipe médica, o paciente apresenta broncopneumonia bacteriana bilateral, provavelmente de origem aspirativa.
De acordo com o comunicado, Bolsonaro chegou ao hospital com febre alta, queda na saturação de oxigênio, sudorese intensa e calafrios. Exames de imagem e análises laboratoriais confirmaram a presença da infecção pulmonar.
Quadro inspira atenção
Em entrevista à Agência Brasil, a pneumologista Marcela de Oliveira, integrante da Comissão Científica de Infecções Respiratórias da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, classificou a situação como potencialmente grave. A especialista explicou que a pneumonia ocorre quando bactérias ou vírus ultrapassam as defesas iniciais – nariz, boca, garganta e brônquios – e alcançam os alvéolos, região responsável pela troca de oxigênio.
“Quando a infecção atinge essa parte terminal das vias respiratórias, chamamos de pneumonia, forma mais séria de infecção nessas estruturas”, afirmou. Ela acrescentou que a broncopneumonia se caracteriza por múltiplos focos infecciosos distribuídos por diferentes lobos pulmonares, sem limitação anatômica bem definida.
Mortes e fatores de risco
Marcela lembrou que a doença é uma das principais causas de óbito em pessoas idosas e figura entre os motivos mais frequentes de morte em pacientes internados. A evolução do quadro depende, em grande parte, das condições pré-existentes do indivíduo, como diabetes, tabagismo ou outras enfermidades que comprometem o sistema imunológico.
Sinais de alerta
Os sintomas mais comuns incluem tosse, febre e dor torácica, além de prostração, perda de apetite e dificuldade para respirar. Em pessoas com imunidade reduzida, principalmente idosos, nem sempre há febre, o que pode mascarar o problema. Nessas situações, podem surgir manifestações atípicas, como sonolência excessiva, confusão mental, vômito ou dor abdominal — especialmente quando os lobos inferiores dos pulmões são acometidos.
Tratamento e prevenção
O tratamento da broncopneumonia é baseado em antibióticos. A maioria dos casos está associada à bactéria Streptococcus pneumoniae (pneumococo), agente contra o qual existe vacina. No entanto, a imunização é recomendada apenas para grupos de risco, entre eles pessoas com mais de 60 anos, indivíduos com doenças crônicas ou imunossuprimidos.
A médica reforçou que, para esses públicos, a avaliação médica imediata é fundamental e pode levar à necessidade de internação. Além da vacina pneumocócica, a vacinação anual contra influenza também contribui para diminuir o risco de coinfecções que podem evoluir para pneumonia.
Bolsonaro permanece em observação na UTI, onde recebe suporte terapêutico e acompanhamento constante. O hospital não divulgou previsão de alta.
Com informações de Agência Brasil
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