Governo envia força-tarefa para conter avanço da coqueluche na Terra Yanomami

Portal de Notícias Foco SE
3 Min Leitura

O Ministério da Saúde deslocou uma força-tarefa emergencial para a base polo de Surucucu, na Terra Indígena (TI) Yanomami, em Roraima, após identificar aumento de casos de coqueluche entre crianças da região. Conforme comunicado divulgado na quarta-feira (18), já foram confirmados oito pacientes infectados e três mortes.

A equipe, que desembarcou em Surucucu na segunda-feira (16), reúne profissionais do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS, especializados em contenção de surtos de doenças respiratórias. Ao todo, 50 técnicos reforçam o atendimento e as ações de prevenção em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Yanomami, que mantinha atividades de vigilância e coleta de amostras nas aldeias vizinhas.

A coqueluche é uma infecção bacteriana altamente contagiosa cujo sintoma inicial mais comum é a tosse seca persistente. Devido à gravidade dos registros recentes, as crianças afetadas foram transferidas para hospitais de Boa Vista. Duas delas já receberam alta e regressaram às comunidades, enquanto outros casos suspeitos permanecem sob investigação e acompanhamento médico.

Vacinação é prioridade

O principal método de proteção contra a doença continua sendo a vacinação. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece o imunizante para crianças de até 7 anos e gestantes em todas as Unidades Básicas de Saúde. Dados do Dsei Yanomami indicam avanço na cobertura vacinal: entre as crianças com menos de 1 ano, o esquema completo passou de 29,8% em 2022 para 57,8% em 2025. Na faixa etária de até 5 anos, o índice subiu de aproximadamente 52% para 73% no mesmo período.

Contexto de emergência sanitária

Em 2023, o Governo Federal decretou estado de emergência na TI Yanomami em razão do elevado índice de desnutrição, da incidência de malária e de mortes atribuídas à atividade garimpeira ilegal. A partir dessa medida, foram articuladas ações conjuntas pelos ministérios da Saúde, Defesa e Povos Indígenas, incluindo o fechamento de garimpos, o reforço do controle do espaço aéreo, programas de despoluição de rios, distribuição de água potável e implantação de unidades de saúde especializadas.

Desde então, o número de profissionais vinculados ao Dsei Yanomami aumentou de 690 para 1.855, crescimento de 169%. Estatísticas de 2025 do Ministério da Saúde mostram que, após a adoção das medidas emergenciais, a mortalidade na região recuou 27,6%. Ainda assim, lideranças indígenas alertam que subsistem desafios para garantir atendimento adequado a uma população superior a 30 mil pessoas, distribuídas em cerca de 376 comunidades.

Com a chegada da força-tarefa, o governo pretende acelerar a investigação de novos casos, fortalecer a vigilância epidemiológica e ampliar a cobertura de vacinação, a fim de evitar a propagação da coqueluche e outras infecções respiratórias na TI Yanomami.

Com informações de Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Conta institucional do Foco SE. Assina as matérias produzidas ou editadas pela equipe do portal, quando não há assinatura individual. Correções, complementações e pedidos de direito de resposta podem ser enviados para contato@focose.com.br e são publicados com o mesmo destaque da matéria original, nos termos da Lei nº 13.188/2015.