O governo russo confirmou nesta quinta-feira (12) que o WhatsApp, da Meta, foi bloqueado no país em razão da “relutância” do aplicativo em se adequar às exigências da legislação local. A informação foi dada pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, durante coletiva de imprensa em Moscou.
“Essa decisão foi de fato tomada e implementada pela resistência do WhatsApp em cumprir as normas e a letra da lei russa”, declarou Peskov. O representante não citou outras plataformas da Meta, mas o bloqueio abrange também Facebook e Instagram, conforme noticiado na véspera (11) pelo jornal britânico Financial Times.
Resposta da empresa
Em nota, o WhatsApp afirmou que segue tentando manter o serviço ativo para os 100 milhões de usuários que possui na Rússia. A companhia classificou a medida como um “retrocesso” que resultará em “menos segurança” para a população, já que o mensageiro oferece criptografia ponta a ponta.
Diretório oficial e classificação de “extremismo”
Segundo o Financial Times, Roskomnadzor — órgão que regula a internet no país — removeu WhatsApp, Facebook e Instagram de seu diretório online, passo que praticamente inviabiliza o acesso sem o uso de VPNs. No caso de Instagram e Facebook, as autoridades russas rotularam as plataformas como “extremistas”. O YouTube sofreu limitações, mas não está claro se também foi retirado da lista oficial.
Pressão por aplicativo estatal
O bloqueio ocorre paralelamente aos esforços do Kremlin para promover o Max, aplicativo de comunicação desenvolvido pelo Estado e inspirado no chinês WeChat. Classificado pelo governo como “mensageiro nacional”, o Max reúne troca de mensagens e serviços públicos, mas não oferece criptografia, o que levanta preocupações sobre privacidade.
Telegram sob escrutínio
Questionado sobre eventual restrição ao Telegram, Peskov orientou os repórteres a procurar o Roskomnadzor. A plataforma, criada na Rússia, é amplamente utilizada por militares na guerra da Ucrânia e por famílias dos combatentes. O serviço já enfrenta bloqueio parcial de chamadas de voz, recurso também suspenso anteriormente no WhatsApp.
Imagem: Richard Drew/AP
O cofundador do Telegram, Pavel Durov, criticou publicamente as restrições, afirmando que limitar a liberdade dos cidadãos “nunca é a resposta” e citou a experiência iraniana, onde usuários driblaram a censura para continuar usando o app.
Analistas observam que a nova investida do Kremlin sinaliza intenção de manter o WhatsApp suspenso por período prolongado — ou mesmo de forma definitiva — caso o aplicativo não aceite as regras impostas por Moscou.
Com informações de G1
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