Brasília, 3 de fevereiro de 2026 – O Palácio do Planalto enviará ao Congresso Nacional, logo depois do recesso de carnaval, um projeto de lei com pedido de urgência constitucional para pôr fim à jornada de seis dias de trabalho seguidos por um de descanso, conhecida como escala 6×1.
A confirmação partiu do líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), que classificou a proposta como prioridade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O parlamentar destacou que o caráter de urgência obriga a Câmara a votar o texto em até 45 dias, encurtando o rito legislativo habitual.
“Ao adotar a urgência, a pauta da Casa e do país fica direcionada. Trata-se de um tema central para o governo”, afirmou Lindbergh. O líder reconheceu resistência de entidades empresariais, mas acredita que o apoio popular ajudará a acelerar a tramitação.
No dia anterior, Lula enviou mensagem ao Congresso defendendo a mudança sem reduzir salários. “Não é justo alguém trabalhar a semana inteira e ter apenas um dia livre para recuperar o corpo, a mente e conviver com a família”, registrou o presidente no documento lido na sessão de abertura do ano legislativo.
O debate sobre a jornada já avança no Parlamento. Em dezembro passado, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou proposta que elimina a escala 6×1 e institui carga semanal de 36 horas. O texto está pronto para votação no plenário da Casa. Na Câmara, a discussão tramita na Comissão do Trabalho, mas em ritmo mais lento.
Segundo Lindbergh, o envio de um projeto do Executivo pode sobrepor as iniciativas em curso. “Esperar o andamento comum na Câmara significaria passar por várias comissões. A sociedade cobra celeridade”, justificou.
Imagem: Lula Marques/Agência Brasil
Comparando a reação patronal a mudanças trabalhistas antigas, o deputado lembrou críticas semelhantes quando foram criados o salário mínimo e o décimo terceiro salário. “Em diversas nações a escala 6×1 já não existe, e setores da economia brasileira também operam sem esse modelo”, ressaltou.
Além da pauta trabalhista, o líder petista anunciou que a bancada apoiará a instalação de comissões parlamentares de inquérito para investigar supostas fraudes envolvendo o Banco Master. Há duas propostas de CPI, apresentadas pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e pelas deputadas Heloísa Helena (PSOL-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS). O PT, porém, não pretende assinar o requerimento apresentado pelo PL, que, segundo Lindbergh, teria foco político e não técnico.
“Nosso governo já apura as denúncias. Queremos transparência, mas sem distorcer o objeto da investigação”, concluiu.
Com informações de Agência Brasil
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