O Hospital de Urgências de Sergipe João Alves Filho (Huse), em Aracaju, passou a utilizar uma cartilha ilustrada e bonecos de pano para preparar pacientes pediátricos para as diferentes etapas do tratamento contra o câncer. A estratégia, criada pela equipe multiprofissional do Centro de Oncologia Dr. Oswaldo Leite, tem caráter educativo e pretende diminuir o impacto emocional provocado por procedimentos como quimioterapia e radioterapia.
Idealizada a partir da convivência diária com os pequenos, a iniciativa foi desenvolvida pelo setor de Terapia Ocupacional. A terapeuta ocupacional Márcia Larissa Ferreira, que atua há 12 anos na oncologia do Huse, explica que o brincar é a principal forma de comunicação com a criança hospitalizada. “As intervenções são realizadas na brinquedoteca ou à beira do leito, sempre por meio de atividades lúdicas que explicam o que está acontecendo”, afirma.
Cartilha antecipa o que acontecerá no hospital
O livreto contém ilustrações que apresentam, em linguagem simples, temas como aplicação de quimioterapia, sessões de radioterapia e possíveis efeitos colaterais, entre eles a queda de cabelo. Segundo Márcia, quando a criança compreende o procedimento, a adesão ao tratamento tende a ser maior e o sofrimento diminui.
Bonecos com cabelo removível
Para tornar o aprendizado ainda mais próximo da realidade, bonecos de pano acompanham os pacientes durante a internação. Batizados de Vitória e Gabriel, eles têm cabelo removível, permitindo que fiquem carecas e simbolizem a perda temporária dos fios. A terapeuta observa que a mudança visual do brinquedo facilita o diálogo com a família sobre esse momento delicado, reforçando que o cabelo volta a crescer após o término da terapia.
O nome Vitória representa a superação buscada por cada criança. Já Gabriel homenageia um ex-paciente que marcou a história do serviço. “É uma forma carinhosa de manter viva a memória de alguém que iluminou nossa rotina”, conta Márcia.
Terapia Ocupacional garante autonomia e infância
No ambiente oncológico, o trabalho da Terapia Ocupacional busca preservar hábitos típicos da infância. Hospitalização e tratamentos invasivos podem comprometer atividades diárias, como alimentar-se sozinho, escovar os dentes ou brincar. A profissional destaca que restaurar essas competências é essencial para o desenvolvimento infantil e influencia de forma positiva todo o processo de cura.
A coordenadora do Centro de Oncologia, Meire Jane Souza, ressalta que a proposta reforça o compromisso do Huse com o atendimento humanizado. “É possível cuidar da saúde sem abrir mão do afeto, do brincar e da esperança”, observa.
Ao integrar terapeutas ocupacionais, médicos, enfermeiros e demais profissionais, o hospital amplia a compreensão da criança sobre cada etapa terapêutica, reduzindo medos e fortalecendo vínculos. A expectativa da equipe é que a cartilha e os bonecos se tornem parte permanente da rotina, contribuindo para resultados clínicos e emocionais mais positivos.
Com informações de Saude.se.gov
Siga o Foco SE e entre no nosso grupo de notícias de Sergipe.



