Maranguape e Nova Lima dão início à vacinação-piloto contra dengue com dose única do Butantan

Claudio Vasconcelos
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Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) começaram, nesta semana, a aplicação experimental da vacina de dose única contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. Nesta fase inicial, estão disponíveis 204,1 mil doses: 60,1 mil para Maranguape, 64 mil para Nova Lima e 80 mil para Botucatu (SP), município que inicia a campanha no próximo domingo, 18. O quantitativo cobre toda a população-alvo — moradores de 15 a 59 anos.

O estudo de efetividade acompanhará os vacinados por 12 meses. Especialistas avaliarão a incidência da doença nos três municípios e possíveis eventos adversos raros, metodologia semelhante à usada em 2021 na análise da vacina contra a covid-19 em Botucatu.

Se os resultados confirmarem a eficácia observada nos ensaios clínicos, o Butantan prevê ampliar a produção para atender o país inteiro. Até o momento, 1,3 milhão de doses foram fabricadas. Antes mesmo da conclusão do estudo, as próximas remessas serão direcionadas a grupos prioritários: médicos, enfermeiros e agentes comunitários da atenção primária devem começar a receber cerca de 1,1 milhão de doses no início de fevereiro.

A transferência de tecnologia firmada entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines permitirá aumentar a produção em até 30 vezes. O Ministério da Saúde planeja expandir gradualmente a vacinação, primeiro para pessoas de 59 anos e, em seguida, para faixas etárias inferiores até alcançar o público de 15 anos.

Durante o lançamento da campanha em Maranguape, o ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, explicou os critérios de escolha das cidades: população entre 100 mil e 200 mil habitantes e rede de saúde capaz de monitorar o impacto da nova vacina. Ele destacou que se trata do primeiro imunizante contra dengue aplicado em dose única, o que, segundo ele, acelera a proteção coletiva.

Nos testes clínicos, a vacina apresentou eficácia global de 74% e reduziu em 91% os casos graves; nenhum participante precisou ser hospitalizado. O desenvolvimento levou duas décadas, reuniu diferentes centros de pesquisa nacionais e contou com apoio internacional. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) investiu R$ 32 milhões em 2008 e mais R$ 97 milhões em 2017 para construção da fábrica. No total, o projeto recebeu R$ 305,5 milhões.

Para receber o imunizante, os moradores devem apresentar documento oficial com foto; o Cartão SUS é recomendado. As prefeituras reforçam que, mesmo vacinados, os cuidados contra o Aedes aegypti permanecem indispensáveis. A Secretaria Municipal de Saúde de Nova Lima lembra que eliminar focos de água parada continua sendo a forma mais eficaz de impedir a proliferação do mosquito transmissor de dengue, zika e chikungunya.

Com informações de Agência Brasil

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.