Especialista diz que ação militar de Trump na Venezuela fere normas internacionais

Robson Alves
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A professora de Direito e Estudos Internacionais de Paz da Universidade de Notre Dame, Mary Ellen O’Connell, classificou o ataque ordenado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a Venezuela como uma afronta às leis internacionais. Em entrevista concedida neste domingo (4), a jurista afirmou que a investida deve aumentar a desconfiança global em relação a Washington e não contribuirá para reforçar a liderança norte-americana.

“É um tapa na cara de todas as leis internacionais”, disse O’Connell, lembrando que a ofensiva foi executada sem justificativa legal, deixou mortos, destruição e espalhou medo entre moradores de Caracas. Para ela, o princípio básico do Estado de Direito é oferecer alternativas à violência, algo que, segundo avaliou, foi desconsiderado.

Risco de cenário inalterado

A especialista alertou que a situação política venezuelana pode permanecer “fundamentalmente a mesma”. O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma o comando do país após a captura do presidente Nicolás Maduro, levada a cabo por forças de elite norte-americanas, que transferiram Maduro e a primeira-dama Cilia Flores para Nova York.

“Mesmo que Maduro seja julgado nos Estados Unidos, isso não representa um triunfo claro para a democracia”, pontuou O’Connell. A professora acrescentou que levará anos até que os EUA recuperem o status de nação que respeita o Estado de Direito.

Histórico de intervenções

O ataque de sábado (3) marca a primeira intervenção direta dos Estados Unidos em um país latino-americano desde 1989, quando tropas norte-americanas prenderam o então presidente do Panamá, Manuel Noriega, acusado de narcotráfico. Assim como ocorreu no Panamá, Washington alega que Maduro lidera um suposto cartel de drogas chamado De Los Soles, acusação que especialistas em tráfico internacional contestam.

Antes da operação, o governo Trump oferecia recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão do líder venezuelano. Críticos veem a ação como uma estratégia geopolítica para afastar Caracas de aliados como China e Rússia e ampliar o controle sobre as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta.

“Cumprir a lei é o caminho”

Ao comentar a preocupação de Trump com o tráfico de drogas e de pessoas, O’Connell reconheceu a relevância do tema, mas enfatizou que “não se combate crime violando a lei” e defendeu o fortalecimento de tribunais internacionais.

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.