O bombardeio dos Estados Unidos contra a Venezuela, realizado no sábado (3), sinaliza uma tentativa do presidente norte-americano, Donald Trump, de fortalecer alianças de extrema-direita na América Latina. A análise é da professora Clarissa Nascimento Forner, do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Articulação transnacional
Segundo Clarissa, a aproximação entre Washington e governos latino-americanos alinhados à extrema-direita já vinha sendo construída e se consolida com a ação militar. “Isso reafirma o caráter estratégico do trumpismo, articulando redes transnacionais de extrema-direita, fortalecendo esses grupos e enfraquecendo possíveis opositores”, afirmou.
Instabilidade como método
A professora sustenta que os EUA se apresentam como fator de instabilidade regional e global. Para ela, o quadro interno venezuelano tende a permanecer volátil e não deve ser resolvido por uma administração militar norte-americana. “O governo Trump adota um modus operandi que produz instabilidade para legitimar respostas que frequentemente extrapolam a legalidade”, disse, mencionando o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa como exemplo.
Clarissa acrescenta que o discurso de Trump deixa aberta a possibilidade de novas ofensivas na região: “A coletiva indica que a Venezuela pode não ser o último alvo”.
Antecedentes históricos
O episódio marca a primeira intervenção direta dos EUA em um país latino-americano desde 1989, quando tropas norte-americanas invadiram o Panamá e capturaram o então presidente Manuel Noriega, acusado de narcotráfico.
Acusações e interesses
Assim como no caso panamenho, Washington acusa Maduro de chefiar o suposto cartel venezuelano De Los Soles, sem apresentar provas. Especialistas em tráfico internacional contestam a existência dessa organização. O governo Trump oferecia recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão do líder venezuelano.
Críticos da operação afirmam que, além de isolar Caracas de parceiros como China e Rússia, a ofensiva busca ampliar o controle norte-americano sobre as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, localizadas na Venezuela.
Fonte: Agência Brasil
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