Maioria dos pacientes brasileiros com câncer colorretal só descobre doença em fase avançada

Claudio Vasconcelos
3 Min Leitura

Brasília – Mais de 60% dos 177 mil casos de câncer colorretal registrados em hospitais públicos e privados do Brasil, entre 2013 e 2022, foram diagnosticados em estágios avançados. O dado faz parte do estudo “Câncer colorretal no Brasil – O desafio invisível do diagnóstico”, divulgado nesta quinta-feira, 27 de novembro, Dia Nacional de Combate ao Câncer, pela Fundação do Câncer.

Segundo o cirurgião oncológico Luiz Augusto Maltoni, diretor-executivo da entidade, metade dos pacientes chega aos serviços de saúde já com metástase (estágio 4) e outros 25% estão no estágio 3. “Somados, são mais de 70%, o que é uma catástrofe”, afirmou em entrevista.

Importância do rastreamento

O levantamento reforça a necessidade de diagnóstico precoce. Atualmente, o exame inicial recomendado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é a pesquisa de sangue oculto nas fezes para pessoas a partir dos 50 anos. Quando o resultado é positivo, realiza-se a colonoscopia. Entretanto, o pico de incidência ocorre entre 50 e 60 anos, o que leva a Fundação do Câncer a sugerir que o rastreamento comece aos 45 – ou até aos 40 anos – para identificar lesões precursoras antes de evoluírem para tumores.

Fatores de risco

O estudo também relaciona obesidade e tabagismo ao aumento de casos. Capitais com maior prevalência de fumantes, como Florianópolis, Porto Alegre, Curitiba e Campo Grande, apresentam altas taxas de incidência. Cenário semelhante aparece em cidades com índices de obesidade iguais ou superiores a 24%, como Porto Alegre, Campo Grande, Rio de Janeiro e São Paulo.

Perfil dos registros

Entre os pacientes analisados, 49,4% estão na Região Sudeste e 85,9% têm 50 anos ou mais. A doença é mais comum em pessoas brancas (34,6%), seguidas por negras (30,9%). Em relação à escolaridade, 47,7% cursaram apenas o ensino fundamental. A cirurgia permanece como principal tratamento inicial, isolada ou combinada com outras terapias.

Desigualdade regional

Sudeste e Sul concentram a maior parte dos equipamentos de diagnóstico e tratamento. Já os moradores do Centro-Oeste enfrentam o maior deslocamento: cerca de 18% precisam viajar para outras localidades. No Norte, o percentual é de 6,5%.

Projeções

A Fundação do Câncer prevê aumento de 21% nos casos entre 2030 e 2040, chegando a 71 mil novos registros e aproximadamente 40 mil óbitos anuais. Para Maltoni, o cenário só pode ser revertido com uma política nacional permanente de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce, liderada pelo Ministério da Saúde.

Fonte: Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.